A referência do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, a Cristiano Ronaldo no discurso de Natal foi estranha e reveladora. Quando fala de Cristiano Ronaldo, fala de riqueza extrema, de privilégios e de um mundo distante da vida real. Não fala da maioria dos portugueses. Não fala de quem trabalha todos os dias para pagar renda, contas e comida. Essa escolha não é inocente. É um sinal claro de que este Governo admira o poder económico e ignora quem vive do trabalho.
Quando o Primeiro-Ministro insiste na reforma da lei laboral, volta a mostrar essa distância. Mostra desconhecimento da vida de quem recebe pouco, trabalha muitas horas e vive com medo do fim do mês. Mostra falta de empatia com quem cumpre regras duras no trabalho e não tem margem para errar. As políticas apresentadas protegem quem já manda e enfraquecem quem depende do salário para viver.
Um Primeiro-Ministro deve governar para todos. Não apenas para os mais ricos e influentes. Quando governa para poucos, a democracia perde força. Portugal não é uma empresa. Portugal é uma comunidade. Governar não é gerir lucros. Governar é proteger pessoas. É garantir direitos. É dar estabilidade, confiança e esperança.
A justiça social não é um luxo. Não é um detalhe ideológico. É a base da democracia. Sem justiça social não há coesão. Sem coesão não há futuro. O debate sobre a reforma laboral mostra tensões reais no país. Há um grande fosso entre quem decide e quem sofre. Reformas feitas sem ouvir quem trabalha são injustas. Crescimento económico que destrói direitos não é progresso. É retrocesso.
Vivemos num tempo de desconfiança e cansaço. Muitos cidadãos sentem que o poder não os representa. Sentem que as decisões são tomadas longe da sua vida real. Isso alimenta a revolta, a abstenção e o afastamento da democracia. Um Governo responsável devia aproximar, não afastar.
Queremos um país onde todos contam. Um país onde o trabalho é respeitado. Um país onde quem governa conhece a realidade de quem vive do salário. A democracia exige inclusão. Exige escuta. Exige coragem para proteger os mais frágeis. Unir causas, defender o trabalho e exigir justiça social não é radical. É necessário. É assim que se protege a democracia portuguesa.
