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A sintonizar estações...

A continha do Irão aos EUA

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evem ter reparado que na imagem enviada no texto anterior está "Ilhas Lajes", para comunicar com Donald Trump temos que descer ao seu nível, Açores ele não sabe o que é, mas se as Lajes têm interesse, então é Ilhas Lajes. é a linguagem curto-circuito dos interesseiros.

Regresso para fazer contas. Alguns devem ter achado o texto provocador porque atiçava a um conflito com a besta. Aceito essa leitura, mas agora vamos a outra. Se ele costuma usar as fragilidades dos outros para ferir a soberania, agora que vai a caminho de uma guerra o homem está mais negociável, certo? É hora de o estuprar, devolver a moeda!

Os EUA acham a NATO um fardo, e tal como já desistiram de tantas organizações, esta é mais uma. Existe algum custo para os EUA pelo uso das Lajes? Os EUA não pagam um "aluguer" direto pelo uso das Lajes, ao abrigo da NATO. Acho bem. Mas neste momento em que os EUA se querem desligar, convém lembrar que não vai continuar tudo igual, talvez deveria ter sido a receita prévia do Brexit... que só agora os ingleses tomaram conta.

Portugal não recebe um cheque mensal ou anual pela cedência do espaço. A utilização é baseada num princípio de parceria estratégica e defesa mútua no quadro da NATO. Para muitos críticos, isto significa que os EUA usam a base "de borla" enquanto projetam poder para o Médio Oriente, neste momento, no seu interesse e quando atacam todos com tarifas. Mas o que é isto de, perante um comerciante, não falar a mesma linguagem estúpida?

É verdade que embora não haja aluguer, os EUA têm obrigações financeiras diretas relacionadas com a presença física. É o caso dos salários e emprego, pagam os salários dos trabalhadores civis portugueses que prestam serviço às forças americanas. Também são responsáveis pelos custos de manutenção das áreas que ocupam e pelas operações de reabastecimento. Existe um impacto indireto no comércio da Ilha Terceira devido à presença dos militares e das suas famílias, embora este tenha diminuído drasticamente desde a redução do contingente em 2015. Mas, agora, de repente é importante, é uma importância intermitente, quando interessa...

Em vez de dinheiro vivo, Portugal negoceia (ou deveria negociar) contrapartidas noutras áreas, como facilidades na aquisição de equipamento militar americano. Mas, para quê se vamos comprar europeu porque os EUA não são confiáveis? E se fossem acordos para a cooperação científica e tecnológica, canalizados através de fundos para universidades ou projetos nos Açores?

Com o aumento da tensão com o Irão neste mês (fevereiro de 2026), o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou que o uso intensivo das Lajes é feito ao abrigo de autorizações tácitas previstas no tratado. Isto reforça a sua tese: os EUA usam um recurso português vital para a estratégia deles, mas a fatura de "uso de solo" continua a ser zero euros.

Moral da história: Portugal oferece o prato principal (a localização) e os EUA pagam apenas as gorjetas (os salários locais).

Nota: e quando começar a ofensiva de expulsar a China de África, o Porto Santo vai ter valor?

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