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À volta da nova liderança gravitam os mesmos nomes de sempre, antigos funcionários camarários da Ponta do Sol, a velha guarda que já orbitava quando a presidência municipal era o centro do poder. A política transformada em condomínio privado. Falta pouco para a família alargada ocupar cargos por inerência. Mérito? Fica para mais tarde. Transparência? Não entrou na sala.
Quando o poder cheira perto, surgem os oportunismos previsíveis. Quem antes escrevia contra o partido e a sua liderança, agora cala-se e sobe. Quem antes se afastou por não constar das listas, hoje reaparece com a lealdade reconfigurada. Princípios com prazo de validade. Convicções à hora.
A base faz o trabalho. A elite recolhe os cargos. Os mesmos doutores acumulam funções, dentro e fora do partido, enquanto os militantes e simpatizantes são utilizados como mão-de-obra descartável. Chamam-lhe militância. Na prática, é servidão política. Depois espantam-se com a ausência de pessoas nas ruas quando chega a campanha. Improviso, desorganização, decisões em cima da hora. Sempre. Planeamento zero, estratégia nenhuma, aprendizagem inexistente. Repetem erros com a convicção de quem nunca paga a fatura.
Dentro do PS Madeira, o acesso a cargos remunerados segue uma lógica fechada. Há quem passe anos nos mesmos locais e quem salte de poça em poça, sempre em cargos relevantes. Outros nunca são considerados. A narrativa oficial diz que ninguém está à espera de cargos. É falso. Política sem reconhecimento é exploração. Os militantes também comem, pagam contas, precisam de estabilidade, de salário e de segurança social. Não vivem de slogans.
O mais grave é a hipocrisia institucional. Um partido que diz querer ajudar os madeirenses e os porto-santenses não consegue apoiar os seus. Não informa, não orienta, não encaminha. Existem apoios e subsídios públicos acessíveis a todos, mas dentro do partido reina o silêncio. Há socialistas a trabalhar nas instituições, alguns em chefias intermédias, e ainda assim a informação não circula. Depois perguntam-se porque há revolta interna.
O Partido Socialista da Madeira tornou-se uma feira de vaidades, onde poucos falam muito, fazem pouco e mandam sempre. Quando falham, a culpa é da base. Um partido que não partilha a mesa com os seus não é próximo do povo. É apenas mais um aparelho fechado sobre si próprio. E os aparelhos fechados acabam sozinhos.
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