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Renovação ou ocupação?

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Uma exigência de transparência e responsabilidade.

D

efino, desde já, por “ocupação” o fenómeno pelo qual um espaço colectivo passa a ser gerido segundo laços pessoais, favores e rotinas internas que excluem mérito e participação. Parto desta definição porque controlar a linguagem é controlar o campo do debate: se o problema é institucional e não apenas pessoal, a solução exige regras, não slogans.

Premissas inegáveis, repetição de nomes próximos da nova direção; indícios de decisões tomadas «em cima da hora»; sinais de esgotamento da militância de base, tudo isto convergente com práticas que favorecem as redes internas em detrimento da transparência. Estas premissas são plausíveis e detetáveis: não pedem confiança cega, exigem verificação e medidas corretivas.

A argumentação segue uma sequência lógica: se um partido pretende reclamar autoridade moral para falar de justiça social, então tem de praticar internamente os princípios que proclama (coerência). Se as práticas internas fecham oportunidades e premeiam a conveniência, então a credibilidade externa diminui. Em breve, sem uma reforma interna substantiva, a capacidade do partido para competir politicamente e mobilizar ficará comprometida.

Para fortificar esta conclusão propomos um conjunto coerente de medidas:

  1. publicação imediata e regular das nomeações e dos critérios de seleção;
  2. rotatividade mínima e limites temporais para os cargos executivos;
  3. calendário prévio para decisões estratégicas e convocatórias com prazos mínimos;
  4. mecanismo independente de receção de queixas internas e mediação;
  5. plano claro de formação e progressão para os militantes de base. Estas propostas asseguram coerência entre diagnóstico e remédio.

Justifico empiricamente, organizações políticas mais transparentes e com regras claras registam maior retenção de militantes e melhor desempenho eleitoral local. A testabilidade está presente, qualquer alteração pode ser medida por indicadores simples: número de candidaturas internas, taxa de presença em ações de rua, satisfação da militância e resultados eleitorais subsequentes. Se os indicadores não melhorarem, as medidas devem ser revistas.

Por fim, o fundamento ético, um partido que reclama justiça social tem o dever de a praticar consigo próprio. Se não o fizer, torna-se impossível reivindicar autoridade moral. A gestão de conflito aqui proposta é prática e conciliadora: reconhecimento público do problema; criação de uma comissão de transição com participação alargada; calendário de implementação das medidas; e compromisso público de avaliação em 12 meses.

A escolha é clara, renovar regras e práticas ou assistir ao progressivo esvaziamento ético e operativo. Para evitar a segunda opção, é preciso agir com humildade, método e coragem, e fazê-lo já.

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