Quando o narcisismo e a intimidação tomaram conta da Gig Music School.
A
liberdade de expressão e a denúncia pública são ferramentas vitais numa democracia, mas não podem servir de livre-trânsito para acertos de contas pessoais ou para a calúnia desenfreada. Há dias, a opinião pública e as páginas do JM foram inundadas por uma história no mínimo fantasiosa, promovida pelo novo gerente, que alega um desvio astronómico de um milhão de euros durante a antiga gerência da Gig Music School.
Quando o sensacionalismo inicial passa, o que sobra é uma manobra de diversão feita à medida para esconder as reais intenções de quem tenta agora ditar as regras. Para quem conhece o tecido empresarial da Região e a realidade de uma escola de música, esta acusação roça o delírio. Movimentar ou "desviar" um milhão de euros numa estrutura destas, sem deixar rasto fiscal ou bancário imediato, é uma impossibilidade matemática e legal. Atirar números desta envergadura para os jornais só revela o desespero e a profunda falta de provas de quem acusa.
Mas o absurdo da acusação é apenas a ponta do iceberg. A narrativa do novo gerente cai por terra quando olhamos para a forma como a nova gerência tomou a Gig Music School de assalto, num autêntico golpe de secretaria. Na calada da noite, este senhor e outros dois sócios orquestraram novas atas que, de forma bastante duvidosa, fizeram chegar à Segurança Social e às Finanças. Fizeram soar os alarmes institucionais para, logo a seguir, avançarem para uma atitude digna de um regime autoritário: a mudança de fechaduras.
Tudo isto foi feito nas costas da antiga gestão e de todos os que lá trabalhavam diariamente. De um dia para o outro, portas fechadas. Barraram a entrada não só a quem geria o espaço de forma legítima, mas também aos funcionários administrativos e aos professores. A mesma gerência que vai aos jornais chorar um milhão de euros imaginário é a que impede os antigos professores — a verdadeira alma do projeto — de irem buscar o seu próprio material e equipamento de trabalho. Reter bens alheios e bloquear o acesso ao local de trabalho não é gestão; é confisco, é ilegal e revela uma profunda má-fé.
Para perceber a verdadeira motivação por trás desta calúnia, basta olhar para o perfil do novo gerente. É do conhecimento geral que, por diversas vezes, este senhor entrou pela escola adentro com o único objetivo de ameaçar e intimidar a então gerente. Um comportamento inaceitável de terror psicológico que não ficou impune e que culminou num processo por violência doméstica que corre contra o próprio.
A ironia ganha outros contornos quando lembramos que a imagem deste indivíduo chegou a ser aproveitada a nível partidário, figurando nos debates das últimas eleições legislativas. Foi através dessa triste exposição pública que muitos puderam constatar a verdadeira natureza do seu caráter e um nível de narcisismo — para não dizer loucura — que agora se manifesta na forma como tenta gerir (ou destruir) a escola.
Quem não respeita os professores, quem invade uma escola para ameaçar mulheres, quem tem processos de violência doméstica às costas e exibe este tipo de comportamento egocêntrico e desequilibrado, perdeu há muito a autoridade moral para fazer acusações.
A história do milhão de euros não é um pedido de justiça; é o reflexo do ego do novo gerente e uma tentativa de destruir o legado de quem ergueu a Gig Music School com trabalho sério e honestidade. Felizmente, a verdade é teimosa e não se apaga com manchetes sensacionalistas. Exige-se que se reponha o bom nome da antiga gestão, que se devolva o material e a dignidade aos professores, e que a sociedade e a justiça tirem as devidas ilações sobre quem é, de facto, este indivíduo.
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