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A paz de Trump: Retórica vs. Realidade

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1. Guerras "terminadas" (segundo Donald Trump)

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onald Trump tem afirmado recorrentemente nas suas redes sociais e intervenções públicas que é o único líder capaz de parar conflitos através da "arte do negócio" e de ameaças tarifárias.

Em Janeiro de 2026, Trump afirmou ter terminado 8 guerras no seu primeiro ano de mandato. A lista da Casa Branca inclui mediações em conflitos de diferentes intensidades, como entre Israel e Irão (a trégua inicial de 2025), Paquistão e Índia, Sérvia e Kosovo, e tensões entre a Etiópia e o Egipto.

Analistas e “fact-checkers” referem que muitos destes "fins de guerra" foram, na verdade, cessar-fogos temporários ou acordos económicos que não resolveram as tensões profundas. Por exemplo, a guerra com o Irão, que ele disse ter resolvido em 2025, escalou violentamente para a operação militar de larga escala que decorre agora em março de 2026.

2. Intervenções militares no atual governo (2025-2026)

Apesar da narrativa de "fim das guerras sem fim", o segundo mandato tem sido marcado por um aumento drástico de intervenções diretas.

Só em 2025, os EUA realizaram pelo menos 626 ataques aéreos (superando o total do mandato anterior de Biden).

Venezuela (Operação Absolute Resolve): o ataque direto em Caracas em Janeiro deste ano para capturar Nicolás Maduro;

Irão (Operação Epic Fury; será só coincidência que as iniciais sejam iguais a Epstein Files): a ofensiva iniciada a 28 de Fevereiro de 2026 em conjunto com Israel, que atingiu centros de comando em Teerão;

Iémen (Operação Rough Rider): uma campanha intensiva contra os rebeldes Houthi no Mar Vermelho iniciada em Março de 2025;

Somália e Nigéria: expansão das operações contra o Al-Shabaab e o ISIS, com mais de 120 operações registadas só na Somália durante o ano passado;

Síria (Operação Hawkeye Strike): ataques contra mais de 70 alvos do ISIS em Dezembro de 2025;

A 3 de março de 2026, o Equador tornou-se a mais recente frente da política externa de intervenção direta da administração Trump na América Latina.

Contexto político e a aliança Noboa-Trump

Esta intervenção não foi uma "invasão" unilateral como a da Venezuela, mas sim um desdobramento de um acordo estreito entre os dois presidentes.

O presidente Noboa descreveu os eventos de ontem como o início de uma "nova fase" no combate ao narcoterrorismo, tendo autorizado os EUA a transmitir ordens diretamente à Força Aérea Equatoriana e a utilizar o espaço aéreo nacional para intercetar atividades suspeitas.

Para acompanhar a ofensiva, foi anunciado um novo toque de recolher em quatro das províncias mais violentas (Guayas, Los Ríos, Santo Domingo e El Oro) entre 15 e 30 de março.

Reação internacional e críticas

Tal como as outras, esta ação está a gerar uma polarização intensa: países como o Panamá e o Paraguai saudaram a "mão pesada" contra os cartéis; opositores e observadores de direitos humanos alertam para o "outro lado da militarização", citando relatos de execuções extrajudiciais e abusos cometidos sob o pretexto do combate ao terrorismo.

Muitos acusam Trump de usar estas operações como "distração" política ou para consolidar o controlo sobre recursos estratégicos na região.

Este evento no Equador confirma: em 2026, a diplomacia tradicional foi substituída pelo uso direto e agressivo da força militar para assegurar a ordem (ou a hegemonia) no hemisfério.

Mudar tudo para que tudo fique na mesma!

Fernando Letra

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