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"Grande Entrevista"

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 Presidente da Câmara da Ponta do Sol, Rui Marques, foi à Grande Entrevista da RTP Madeira falar, como já se esperava, da questão da habitação. Um tema que hoje em dia preocupa toda a gente. E a verdade é que, a certa altura, até parecia que estava a marcar pontos, sobretudo quando se compara com o que foi feito antes pelo executivo do PS de Célia Pessegueiro, que nesta matéria deixou muito a desejar. Mas basta sair para a rua e ouvir as pessoas para perceber que a conversa já não é bem essa. Pelo concelho, o que se vai dizendo é outra coisa: há muita gente a olhar para este interesse todo na habitação com alguma desconfiança.

E essa desconfiança não vem do nada. Fala-se, e fala-se muito, das ligações do próprio Rui Marques ao setor da construção, nomeadamente à empresa que esteve envolvida nos apartamentos a custos controlados na Ponta do Sol. E aqui a questão é simples: quando se mistura política com negócio, as pessoas começam logo a torcer o nariz. Ninguém é ingénuo. Toda a gente sabe que ser presidente de câmara não é só o ordenado ao fim do mês. É o poder de decidir, de influenciar, de abrir portas, de intervir no negócio. E quando isso levanta dúvidas, mesmo que seja fácil provar ilegalidades, a imagem fica sempre manchada. Esta presidência da Câmara da Ponta do Sol é pouco transparente.

Falta de transparência que ficou clara na Entrevista com a questão dos processos crime. A entrevista também foi por aí, e não é tema que se consiga varrer para debaixo do tapete. Rui Marques disse o que todos os culpados costumam dizer: "Estou de consciência tranquila". Foi mais longe e disse "Fooroam só 400 obras" (ilegais) em 12 anos. O facto de ter banalizado o licenciamento contra o PDM segundo a genialidade do própio é o detergente que absolve de todo e qualquer crime. Crime comete quem viola o PDM 2 ou 3 vezes. Os grandes quadros autárquicos do PSD mantém sempre a sua genialidade.

Os processos-crime em que Rui Marques está envolvido continuam a correr, e estão agora em fase de recurso no Tribunal da Relação de Lisboa. E convenhamos: para quem diz que não há indícios nenhuns, não deixa de ser estranho ter de recorrer decisões dos tribunais da Madeira. Cada um tira as suas conclusões. O que as pessoas querem, no fundo, é simples. Que a justiça funcione e que se esclareça tudo, sem jogos nem desculpas.

E depois há aquilo que mexe mesmo com as pessoas da terra: as obras e os projetos. O que está previsto para a zona dos Anjos está longe de convencer. A ideia de um túnel aberto, com aquela solução dos pneus por cima, está a cair muito mal. Muita gente vê aquilo como um atentado à paisagem, numa zona que tem um potencial turístico enorme. Não se percebe bem para quem é que aquilo serve. E enquanto se fala disto, outras coisas continuam por fazer.

A via expresso para os Canhas, que já foi promessa em não sei quantas campanhas, voltou outra vez para a gaveta. E a pergunta que fica no ar é a mesma de sempre: ao fim de tantos anos?

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