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A sintonizar estações...

Os empresários do regime já choram.

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ara falar da crise que se aproxima com ainda mais carestia de tudo, a RTP-M decidiu convidar os que mais lucram com o sistema para falar da crise, os empresários do sistema, e pouco importa se são do PSD ou do PS, o que importa é desenhar a preocupação na medida deles e não dos trabalhadores mal pagos por eles. Eles é que acham que têm um problema quando transferem o ónus para cima do consumidor.

O consumidor não pode jogar os custos sobre ninguém, simplesmente paga os custos de todos e não tem direito à palavra.

A tática de convidar "os donos disto tudo" para analisar a crise é o exemplo perfeito da bolha de privilégio, um teatro onde quem lucra com a inflação explica ao povo por que é que a vida tem de estar mais cara. No programa da RTP-M viu-se a manutenção de uma narrativa oficial que protege o sistema, independentemente da cor partidária, com os empresários do regime já a se posicionar para receber subsídios em nome do cidadão.

Os empresários do sistema apresentam o aumento de preços como uma fatalidade externa que eles apenas "repassam", quando na verdade estão a proteger as suas margens de lucro à custa do consumidor e posicionam-se para o subsídio por eles (o consumidor). O dinheiro nunca chega à população em forma de rendimento para poder aplicar.

Enquanto o trabalhador madeirense faz contas ao tostão para pôr comida na mesa, a discussão na televisão é feita com KPIs e indicadores de rentabilidade, tratando a sobrevivência das famílias como um mero custo de operação.

No que toca à manutenção do status quo económico na Região Autónoma, as diferenças partidárias dissolvem-se. O foco é garantir que os grandes interesses continuem a ter "as chaves da casa", enquanto o resto da população fica com a fatura.

Ao focar o debate nos "desafios das empresas" para a carestia que vai chegar à população, a comunicação social pública retira do mapa as consultas que tardam, as escolas sem meios e a degradação dos rendimentos mínimos de quem realmente faz a Madeira funcionar. Tudo é invertido na Madeira, e depois vêm os PIBs e as Estatísticas para dizer como somos grandes com o dinheiro do sistema que exclui os madeirenses em geral.

O jornalismo está como a governação, feita por quem confunde compaixão com custo. O foco nunca será o madeirense comum enquanto o debate for dominado pelas elites de sempre, só muda a velhice. Teremos que esperar pela lei da vida para acabar com isto?

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