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A imagem do JM é o choque de realidade que faltou no púlpito do congresso do PSD. Enquanto as elites políticas se perdem em debates sobre "partidos regionais", autonomias administrativas e ajustes de contas internos, a vida real do madeirense acontece no corredor do supermercado, onde o dinheiro parece valer cada vez menos e a ARAE permite joguinhos de sucção.
Enquanto já não se debate nos hotéis de luxo e nos centros de congressos a "alta política" (regresso ao ostracizado Madeira Tecnopolo, sede dos Correios, é uma boca), mas ainda as conveniências de coligações e as ameaças de rutura com Lisboa, o madeirense comum faz contas à vida perante uma manchete aterradora, o cabaz alimentar subiu quase 50% em três anos. Foi o valor que lhe subiram o ordenado? Felizmente a inflação que não escolhe partidos, mas os partidários de congressos tem uma boa maioria que não sente os preços dos supermercados.
De abril de 2023 a abril de 2026, o custo médio para encher o carrinho passou de 96€ para mais de 143€. Na carne e no peixe, o cenário é de "guerra" económica, os bifes de vaca dispararam de 8,99€ para quase 13€ e o fiel bacalhau a tornou-se um artigo de luxo. Os estrangeiros do Albuquerque chegam ali e compram bem o preço de alemão, americano, russo mafioso ou brincalhão de criptomoedas...
Ao ouvirmos os discursos políticos das elites regionais no congresso do PSD Madeira, parece que vivemos em realidades paralelas. Fala-se de Ego e Poder, quem manda em quem e quem será o próximo na lista. Fala-se de falsos regionalismos com ameaças vazias de "partidos regionais" que servem apenas como moeda de troca nas negociações de orçamento. Fala-se pouco ou nada de como o custo de vida na Madeira é agravado pela insularidade, pela logística e, sobretudo, por um mercado onde poucos grupos económicos controlam o que chega ao prato das famílias e, depois morreram as vacas e ficaram os bois.
A política do madeirense não é um jogo de "fingimento", é a diferença entre conseguir comprar carne para a semana ou ter de abdicar de bens essenciais. A política na Madeira está viciada numa retórica de autodefesa das elites. Quando o PSD-M ou qualquer outro partido se fecha num congresso para falar de "organizações políticas autónomas", está a fugir à sua responsabilidade principal, governar para quem trabalha. Os partidos cuidam da sua exceção na vida real.
Se a autonomia não serve para baixar o preço do pão, para regular os abusos nos preços dos transportes de mercadorias ou para garantir que uma família de classe média não cai na pobreza ao ir ao supermercado, então essa autonomia é apenas um escudo para quem já tem a barriga cheia. É tempo de trocar o "bluff" regionalista pela economia real.
Acho que escrevi para as paredes, não importa, continuem ceguinhos.
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