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Vamos lembrar mais uma vez

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V

amos lembrar mais uma vez, porque, em matéria de memória coletiva, parece que precisamos sempre de um refresh… quase tão frequente quanto certas adjudicações. No centro do enredo, Miguel Albuquerque e Pedro Calado, envolvidos em investigações:

Pedro Calado

  • Suspeitas de corrupção passiva. Alegada aceitação de vantagens em troca de decisões ou influência em processos públicos.
  • Participação económica em negócio. Envolvimento em decisões onde poderia existir benefício próprio ou de terceiros próximos.
  • Tráfico de influências. Alegado uso da posição para facilitar interesses de determinados empresários.
  • Violação de regras de contratação pública. Ligado a adjudicações e relações com empresas do setor da construção.

Miguel Albuquerque

  • Suspeitas de corrupção passiva. Ligadas a alegadas vantagens indevidas no contexto de decisões governativas.
  • Prevaricação / abuso de poder. Decisões que poderão ter favorecido interesses específicos.
  • Tráfico de influências. Alegada proximidade e facilitação de interesses empresariais.

Tudo ainda no território das suspeitas, claro, aquele espaço cinzento onde ninguém fez nada, mas muita coisa aparentemente aconteceu.

Mas há também espaço para inovação institucional. Miguel Albuquerque, num momento de visão estratégica digna de estudo de caso, decidiu que limitar mandatos é uma ideia… limitadora. E, portanto, ajustam-se os estatutos do Partido Social Democrata e resolve-se o problema. Simples. Afinal, quando o futuro parece incerto, e até destinos de reforma outrora glamorosos como o Dubai já não oferecem aquele descanso despreocupado, o melhor é garantir continuidade. Não vá alguém ter de reinventar carreira, e procurar emprego aos 66 anos. Mais vale reescrever as regras do jogo e continuar confortavelmente instalado.

Não esquecer os seus amigos Avelino Farinha e Custódio Correia, nomes associados ao setor da construção, que surgem ligados a alegadas práticas como tráfico de influências e vantagens indevidas, sempre num registo muito elegante de “relações institucionais próximas”, que é como quem diz, networking corrupto.

E no meio de tudo isto, há uma variável que se mantém absolutamente estável, as obras continuam. No Funchal, o betão não tira férias e não se deixa abalar por operações judiciais.

É curioso como, mesmo quando se fala de alegados crimes económico-financeiros, corrupção ativa e passiva, tráfico de influências, participação em negócios, o ritmo das construções parece obedecer a uma lógica paralela, constrói-se primeiro, explica-se depois (se for preciso).

As obras continuam, o dinheiro publico a ser desviado e os alegados corruptos voltam às funções publicas. Que tristeza Madeira.

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