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A sintonizar estações...

Os espelhos inúteis da rede viária do Funchal

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V

ocê conduz? Então já percebeu. Quem conduz no Funchal sabe que a cidade não perdoa erros. Entre subidas íngremes, ruelas estreitas e esquinas cegas, os espelhos de trânsito deveriam ser os nossos melhores amigos. No entanto, o que encontramos muitas vezes são objetos decorativos de utilidade duvidosa. Olho para eles e digo para os meus botões, olha andaram a poupar uns trocos, é tão pequeno que nem se distingue, nomeadamente aquela do entroncamento da Travessa do Tanque com o caminho do Poço Barral.

Há espelhos anões, mas também não basta colocar um espelho, é preciso que ele esteja alinhado com o ângulo de visão de quem está ao volante. No Funchal, é comum encontrarmos espelhos deslocados, que parecem estar a vigiar as varandas dos vizinhos em vez de mostrar o tráfego que vem na transversal. Há muitos, mas neste momento aquele do entroncamento de quem sai da Carlos Azevedo de Menezes com a estrada da Boa Nova é uma candidatura para apanhar com um rent-a-car vindo do Jardim Botânico em cima. Eles não conduzem, a intuição leva.

Um espelho mal angulado obriga o condutor a "meter o nariz" do carro no meio da estrada para conseguir ver alguma coisa, anulando completamente a função preventiva do equipamento. Durante a noite temos as luzes a avisar, mas durante o dia com a capacidade de ruído das obras que esta capital tem e os carros sempre com pressa é um risco. Apanha-se a culpa, o buzinão, mas culpado da câmara não há!

Depois, temos o fenómeno dos mini espelhos. Que raio de fazer a vez é esta para a CMF. Disso usa-se em saídas de garagens ou cruzamentos apertados para particulares, a instalação de espelhos com diâmetro reduzido é um erro de segurança. E mais uma vez, de dia é pior. Quando há mais trânsito. Quanto menor o espelho, mais distorcida e pequena parece a imagem. Quando compram ninguém pensa nisso? Um carro pode parecer estar a 50 metros quando está apenas a 10, ou pior, um motociclista pode tornar-se invisível devido à curvatura excessiva do material. Se não se "enxerga nada", o espelho não é um auxiliar, é uma armadilha meus senhores da CMF!

Um espelho de trânsito de qualidade deve ser convexo, mas com uma curvatura que não sacrifique a noção de profundidade. Esse é o problema dos mini-espelhos da câmara. No Funchal, enfrentamos ainda outros problemas, querem ver?

Este assunto irrita-me porque percebo que ninguém anda atento na câmara! Existe oxidação e opacidade nalguns. O salitre e a exposição solar constante tornam muitos espelhos baços. Um espelho onde não se vê o brilho dos faróis de outro veículo é um espelho morto. Eu já não digo aonde, saiam dos gabinetes! Se eu só de conduzir sei, então os profissionais empregados para isto não sabem?

Também há vandalismo, um ponto na defesa da CMF, mas já vão perdê-lo porque também há espelhos que até são bons, mas tapados por ramos de buganvílias ou desalinhados por um toque acidental que ninguém corrigiu? Camiões e autocarros são meninos para isto, e ninguém avisa a câmara? fecham-se em copas?

Vamos levantar o tu-tu da cadeira, a segurança não se faz com "meias medidas". Espelhos pequenos ou mal posicionados dão ao condutor uma falsa sensação de segurança, o que é mais perigoso do que não ter espelho nenhum. É urgente que a sinalização vertical no Funchal seja revista sob a perspectiva de quem conduz, e não apenas de quem instala ou do orçamento. Acabem com esses malditos espelhos pequenos.

É um facto que, para quem vive as dificuldades do relevo madeirense, um espelho mal colocado é apenas mais um obstáculo num trajeto que já exige atenção redobrada, mas caramba, não são eleitos e pagos para isso?!

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