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A sintonizar estações...

Se os madeirenses hostilizam a condução dos estrangeiros, torna-os iguais!

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 medida aprovada pelo Governo da República não é uma "simplificação" mas sim o triunfo da balda institucionalizada sobre a segurança de todos. Sob o pretexto de "modernizar" ou "facilitar", o que se está a fazer é desmantelar um pilar de segurança rodoviária para entregar o ensino da condução ao "desenrasque" doméstico.

Ao permitir que um tutor substitua a formação prática inicial, o Governo está a dizer aos portugueses que anos de pedagogia rodoviária, metodologias de ensino e veículos adaptados são prescindíveis. Estão a matar as escolas de condução, estrangulando um setor profissional para o substituir por um modelo de "faz de conta". Ensinar a conduzir não é apenas dizer "mete a segunda e trava devagar"; é incutir civismo, consciência de risco e técnica, algo que um pai ou um amigo, por muito boa vontade que tenham, não estão preparados para fazer e podem ser maus exemplos.

A maior das insanidades deste novo regime é a questão mecânica. As escolas de condução utilizam veículos com duplo comando. Se o aluno entra em pânico e acelera em vez de travar numa passadeira, o instrutor tem o controlo. No regime de tutor, o que temos? Um carro comum, sem pedais de apoio para o acompanhante. Se o aprendiz cometer um erro fatal, o tutor será apenas um passageiro privilegiado no momento do embate. É a roleta russa asfáltica autorizada pelo Estado.

Tudo isto vai de novo para a estrada? Vamos aturar isto na estrada? Desculpem lá mas vai haver pancadaria, escrevam. Parece que ainda não perceberam que há nabos e mobília a mais na rede viária.

Usa-se o exemplo de Inglaterra ou da Noruega para justificar esta aberração, mas esquece-se, ou omite-se propositadamente, o contexto. Nesses países, o civismo rodoviário e o rigor das inspeções são de outra ordem. Além disso, em muitos casos, a condução acompanhada é um complemento e não um substituto total do ensino profissional. Importar a "balda" sem importar a cultura de rigor é um convite ao desastre! Vão fazer isto com a sinistralidade que temos?

O Governo defende-se dizendo que o exame final se mantém. Mas o exame é apenas um momento pontual de 30 minutos. Uma formação sólida de dezenas de horas com um profissional molda o comportamento de uma vida. Aprender "vícios" com um tutor que conduz há 10 anos (e que provavelmente conduz por instinto, já esqueceu metade do código ou adquiriu maus hábitos) é garantir que a próxima geração de condutores será ainda mais indisciplinada.

Num país com as taxas de sinistralidade e a agressividade ao volante que Portugal ainda apresenta, esta medida é um insulto às vítimas da estrada. Não se "simplifica" a segurança. O que se está a criar é um sistema de duas velocidades: quem tem dinheiro continua a ter acesso a ensino profissional, quem não tem, aprende na "balda", com um tutor sem preparação, num carro sem segurança.

Quer dizer, os "gajos" que andam nas corridas, que se pressupõem bons e respeitosos condutores vão ensinar outros?

A Madeira, com a sua orografia única e estradas desafiantes, sabe bem que conduzir não é um jogo. Transformar o ensino da condução num passatempo de fim de semana com familiares é o primeiro passo para encher as nossas estradas de perigos evitáveis. Portanto vamos ter o passeiozinho de domingo e as aulas de condução, mais os turistas e os retornados ou imigrantes que convertem cartas sem destreza para conduzir aqui! Que inferno!

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