O medo ganha eleições e gera lucros.
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Os factos são simples. O estreito tem cerca de 33 km no ponto crítico. Os canais de navegação, definidos pela Organização Marítima Internacional, têm cerca de 3 km por sentido. Não é caos. É ordem. Não é risco absoluto. É gestão calculada. Então por que insistem na narrativa de perigo inevitável?
Os superpetroleiros, incluindo VLCC com 300 mil toneladas, operam com calados entre 20 e 23 metros. A profundidade média dos canais ultrapassa 60 metros. Mesmo com margens de segurança (UKC), há espaço. Há ciência. Há previsibilidade. A travessia não é um salto no escuro, é um processo técnico rigoroso. Logo, o pânico não nasce da física. Nasce da política.
Diz-se que o lado de Omã é inviável. Falso por omissão. Existem zonas profundas superiores a 200 metros junto à Península de Musandam. O que limita não é apenas o fundo do mar, são os corredores impostos, os acordos diplomáticos, o controlo estratégico. A navegação não é livre porque o poder não é neutro.
Aqui entra o mecanismo oculto. O estreito funciona como funil. Dois corredores. Fluxo previsível. Monitorização constante. Quem controla a narrativa controla o preço. Quem amplifica o risco justifica o aumento do petróleo, dos seguros, dos fretes. Medo gera lucro. Sempre gerou.
A “passagem em trânsito”, garantida pela UNCLOS, deveria assegurar liberdade. Mas liberdade condicionada é gestão disfarçada. Quando se fala em ameaças, não se descreve a realidade, constrói-se um argumento. Um argumento útil.
Consideremos, se os navios podem navegar com segurança, com profundidade suficiente e rotas estáveis, por que a insistência no colapso iminente? Porque o sistema precisa de tensão. Sem crise, não há justificação para controlo, nem margem para especulação.
A geografia não mente. A engenharia não mente. Os números não mentem. O que falha é o discurso.
A verdade é desconfortável, o Estreito de Ormuz não é um gargalo inevitável, é um instrumento estratégico. E enquanto o público consome medo, outros acumulam poder.
No fim, a questão não é marítima. É política. E a resposta é clara, quando o medo é constante, não é acidente, é estratégia.
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