Este fim de semana realizou‑se o Encontro de Bandas na Ribeira Brava, que atualmente é mais um desencontro, mas sempre facilita a vida das bandas que, por compromissos, não podem ir no domingo. O habitual corrupio de músicos a correr entre bandas e a trocar de fardas à velocidade da luz manteve‑se firme. Nada de novo: já faz parte da tradição.
Posso garantir que alguns estiveram lá nos três dias, apenas com camisas e gravatas diferentes, porque as calças, claras ou escuras, ainda passam despercebidas. E eu, na assistência, a apreciar o espetáculo.
Estive presente nos três dias, a assistir in loco, e pude ver e avaliar o que se passou. Começando pelo sábado, foi mais interessante do que o domingo, pelo calibre das bandas em cartaz.
Deixo a minha avaliação:
- Banda da Ribeira Brava: grande número de músicos, embora com algumas falhas, sobretudo no andamento, demasiado martelado e lento. Ainda assim, bem tocado.
- Banda do Caniço: notei algumas melhorias desde a última vez que os ouvi, mas ainda precisa de evoluir muito.
- Banda Recreio Camponês: como é hábito, correspondeu plenamente às expectativas.
- Os Infantes: mantêm o seu estilo e imagem de marca, e muito bem. Curiosidade: o lacinho não bate certo.
- Banda do Faial: grande número de músicos, mas talvez coragem à mais na escolha do repertório, por vezes, menos é muito mais.
- Banda Municipal de Câmara de Lobos: depois da tempestade, começa a ver‑se a bonança; parece que a Banda Velha está de volta à ribalta.
No domingo:
- Banda de Santana: a tocar muito bem; a aura do centenário continua presente.
- Banda da Camacha: muitos camacheiros e camacheiras a tocar bem; estão de parabéns. Brilhante trabalho do maestro.
- Banda de Santa Cruz: está em fase de mudança, com dores de crescimento, mas a escolha do maestro parece‑me acertada, jovem e com garra.
- Banda de Machico: há anos‑luz do que tocava há uns 10 anos.
- Banda do Arco de São Jorge: numa terra tão pequena, manter uma banda é uma bênção, mas é preciso rezar muito, muito mais.
Deixei para o fim as desilusões: as duas bandas do Funchal.
Uma delas, a Banda Municipal do Funchal, nem sequer esteve presente. Pelo historial, pelos pergaminhos e por ser a mais antiga, é incompreensível que uma banda deste estatuto não estivesse no Encontro de Bandas.
A outra, “Os Guerrilhas”, foi deprimente de ver: quatro músicos formados na banda e o quíntuplo de reforços. Algo está muito mal, e o que preocupa é que o líder é o mesmo da ABFRAM.
Curiosidade: as bandas que respiram vida são as que formam músicos. Identifico claramente a da Ribeira Brava, Faial, Camacha e as de Câmara de Lobos. Coincidência? Certamente que não. Formar dá trabalho, e muito, mas os frutos colhem‑se mais tarde ou mais cedo.
A intenção não é criticar por criticar, isso qualquer um faz.
É, sim, apontar o problema e lembrar que quem recebe dinheiros públicos deve mostrar resultados à altura. Porque de ginástica criativa para fugir ao essencial estamos todos cansados.
Para o ano há mais e espero melhor!
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O encontro de bandas deveria voltar a ser como era antigamente, 1 dia apenas. Por alguma razão o evento tem no nome “encontro”, momento de mostrar ao público o trabalho das bandas é muito importante dos músicos conviverem todos juntos, pois nesses anos sim até dava gosto a preparação para o encontro de bandas e o grande dia.
ResponderEliminarRessalto ainda o trabalho que a banda municipal da Ribeira Brava tem feito, disponíveis para a preparação das sandes e ainda do trabalho que têm na montagem do palco para que todos possam usufruir dos instrumentos. Sem falar do incrível trabalho que fizeram neste encontro. Música muito bem tocada, muitos músicos e todos da casa, a animação com esta banda é garantida, uma banda de exemplo e que pelo que vejo evolui de ano para ano. Sem dúvida enquanto espectador/a foram a minha banda preferida
Em relação às outras bandas, também os meus parabéns pelo trabalho feito, apesar da troca de músicos entre bandas, esta troca não é uma crítica é a realidade que as bandas da região enfrentam… há cada vez menos adesão a este tipo de atividade cultural, assim sendo é preciso reforçar as bandas com alguns músicos disponíveis. Cada banda preparou-se para este evento e estão de parabéns. Sem falar do convívio feito após os concertos porque esse sim vale a pena, a Banda Recreio camponês, fico com pena de não ser uma banda muito social não tendo convivido tanto com outras bandas.
Banda de Santa Cruz, mesmo em processo de mudança de direção artística manteve-se firme e esteve presente no encontro de bandas com garra, tocaram bem e espero que se mantenham firmes por muito muito tempo, pois têm qualidade para isso.
Banda municipal de machico: única mulher a dirigir a banda e sem dúvida que fiquei surpreendida/o excelente trabalho também, banda jovem mas com grande espírito de banda filarmónica, que esta mulher que está à frente continue a fazer esse grande trabalho como mostrou no encontro de bandas
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