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a Madeira, o problema já não é apenas governar. É transformar o poder numa rotina sem contraditório. Miguel Albuquerque continua à frente do Governo Regional, após a tomada de posse do XVI Governo Regional em 15 de abril de 2025.

Num Estado de direito democrático, a soberania reside no povo, o poder tem de respeitar a Constituição e a vida pública depende de pluralismo, direitos fundamentais e separação de poderes. A lei, aliás, impõe limite aos presidentes de câmara e de junta: três mandatos consecutivos. A regra existe para evitar a captura do cargo. A lição é clara: o poder não nasceu para se eternizar.

É por isso que a lógica da permanência prolongada soará cada vez mais a vício do sistema e não a virtude de liderança. Quando um governo fala como se a ilha lhe pertencesse, e quando a máquina partidária fecha fileiras em torno de uma única figura, a democracia perde oxigénio. O que devia ser alternância passa a parecer feudo. O que devia ser serviço público passa a parecer carreira de proprietário.

A Madeira não saiu da velha mentalidade senhorial para regressar, por outra porta, ao mesmo instinto de domínio. A autonomia foi conquistada para ampliar liberdade, não para legitimar donos do território, da agenda e do futuro. A política não pode ser tratada como uma herdade privada, nem os cidadãos como figurantes de um teatro de poder que se alimenta de obediência, silêncio e cansaço.

O conflito real está aqui: uma região com problemas urgentes, a precisar de habitação, serviços públicos fortes, salários dignos e prioridade social, continua a ver demasiada energia desperdiçada na preservação de elites, na repetição de fórmulas gastas e na normalização da permanência. Governar não é ocupar. Mandar não é servir. E confundir os dois é o caminho mais curto para a ruína cívica.

A Madeira democrática merece outra gramática, rotatividade, escrutínio, transparência e respeito pelo povo. Quando o tempo de um poder se esgota, não é o país que deve baixar a cabeça. É o poder que deve fazer a mala.

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