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"A indústria dos cruzeiros polui muito mais do que carros"

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oa tarde a todos. Gosto de ouvir o Henrique Raposo aos solavancos na SIC Notícias, acho que é tipo Raul Solnado que gaguejava por humor, o Henrique solavanca para pensar como vai dizer a bojarda. Ontem falou, entre outras coisas, de cruzeiros e quis o destino que hoje presenciasse o navio de cruzeiros no Cais Norte na "bufarada", situação que julgo proibida. Foi impressionante como meia cidade ficou e como desde a minha casa se sentiu o cheiro.

A imensa nuvem de fumo que se eleva da chaminé do navio, visível mesmo à distância, ilustra na perfeição o gravíssimo, e tantas vezes subestimado, impacto ambiental que os gigantes do turismo marítimo provocam nos portos onde atracam. A Madeira agora é a favor depois de dizer que é turismo de pés descalços "não consome nada em terra", depois o GR teve de calar o bico com o turismo rasca do Eduardo Jesus que vem por avião. A versão agora aceite pelo GR é de que os cruzeiros são uma importante injeção económica para o comércio e turismo locais, talvez porque importa não desgraçar o novo monopólio do Sousa.

Estes hotéis flutuantes funcionam como autênticas centrais elétricas  que nunca se desligam e, a APRAM, que sai todos os dias com propaganda nos jornais, ainda não fez o seu trabalho de eletrificação. 24/7 geradores funcionam para manter os seus complexos sistemas de refrigeração, iluminação, cozinhas e entretenimento ativos enquanto estão atracados, os navios continuam a queimar toneladas de combustível fóssil, como o caso que vemos, frequentemente o fuelóleo pesado, um dos resíduos mais poluentes e ricos em enxofre da indústria petrolífera.

O resultado desta combustão contínua é a libertação maciça e concentrada de óxidos de enxofre, monóxido de carbono e partículas ultrafinas, que criam uma névoa tóxica persistente mesmo em dias de céu limpo. Esta poluição atmosférica severa acaba por ser empurrada pelos ventos marítimos diretamente para as encostas e anfiteatros naturais das cidades portuárias, a Madeira é uma, sufocando as zonas urbanas envolventes e expondo os residentes locais a riscos acrescidos de doenças respiratórias crónicas.

Mesmo neste momento, o Funchal teria os melhores resultados da Europa na qualidade do ar, conseguem sempre. Numa terra de muito cancro e problemas cardiovasculares, ver esta degradação da qualidade do ar é o preço ambiental e de saúde pública demasiado alto que urge combater com a transição obrigatória para sistemas de eletrificação a partir de terra (shore-to-ship power) e combustíveis mais limpos.

Ninguém faz páginas negativas à APRAM pelo seu atraso? Parece que só se pode falar no Madeira Opina, parabéns pela vossa iniciativa. Ouçamos o Henrique Raposo:

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