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Albuquerque é impotente para a natureza, mas não para o dinheiro.

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Sou automobilista que faz duas vezes ao dia o trajecto São Vicente - Porto Moniz, ida e volta. Quero dizer algumas coisas ao Dr. Albuquerque

O

 recente episódio de queda de pedras, que culminou no ferimento de um agente da autoridade na via pública, reacendeu as críticas à postura do Executivo de Albuquerque e à ordem de prioridades no investimento público desta Região. Caro Presidente, o senhor tem uma sina, sempre que abre mal a boca o seu castigo vem a seguir, é o célebre "controlado". O problema é que sobra sempre para os outros, o senhor suja a cara, mas as mazelas são do povo.

Envio um vídeo com as palavras de Albuquerque, perante a recorrência de derrocadas nas estradas regionais, a narrativa oficial tende a escudar-se na imprevisibilidade e na força indomável da natureza. Este é o Presidente que não liga nenhuma à natureza e paisagem com teleféricos, Ginjas, campos de golfe e desvalorização da área ardida de Laurissilva no Verão em que se deixou espojado no Porto Santo? É um facto consensual que ninguém consegue controlar a meteorologia ou a erosão natural das encostas da Madeira. No entanto, o cerne da contestação pública não reside na capacidade de domar os elementos, mas sim na estratégia de prevenção, na alocação de fundos e na escolha de prioridades. Senhor Presidente, repare que os seus amigos continuam a ganhar, é só desviar o dinheiro dos campos de golfe, que infraestruturam o privado para os lucros, para algo necessário a toda a população.

O senhor Presidente é que faz demagogia com aquilo que não é demagogia, mas si falta de paciência para a sua desfaçatez e retórica de enrolar. Setores críticos como a proteção de vias secundárias expostas, a consolidação contínua de escarpas e o reforço de redes de segurança parecem sofrer de subfinanciamento crónico, deixando automobilistas e forças de segurança expostos ao perigo real. Isto é tanto verdade que nem existe um fundinho de caixa para imprevistos. Chapa ganha, chapa amanhada para o grupinho.

A sua resposta bate de frente com à canalização sistemática de volumes astronómicos de dinheiros públicos para grandes obras de infraestruturação que, segundo a oposição e vários setores civis, servem frequentemente para alimentar os interesses do lóbi da construção civil e criar oportunidades de negócio para os parceiros económicos habituais do regime.

Não se exige que o Governo Regional controle a natureza, mas que esteja a altura dos imprevistos, exige-se que controle as suas prioridades orçamentais. Enquanto o foco estiver em alimentar projetos de betão, não essenciais, em vez de blindar a segurança de quem circula nas estradas da ilha, episódios como o da costa norte São Vicente - Porto Moniz continuarão a demonstrar que a fatura da má gestão é paga com a integridade física de quem trabalha e vive na Madeira.

O senhor Presidente está cada vez mais parecido com um militante do Chega com respostas simplistas. Olhe que não está livre de passar lá e lhe cair uma pedra em sima com essa sina que tem!

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