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A democracia do sim ou não à americana substitui nos nossos dias o conhecimento, um não ou sim empírico, conforme o interesse, depois do Chumbo da SPEA chega a propaganda oficial a contribuir para a extinção de uma espécie. O coro atiçado ataca, mas houve pluralidade, cabe a população decidir. É o homem que dá cabo do planeta, somos nós espécie dominante, supostamente racional, pela estúpida ganância, que não sabe viver em harmonia com o planeta que nos sustenta. Rebate a propaganda. A democracia é da política, a ciência é conhecimento e não o que apetece.
Hoje, o JM revela uma técnica clássica de "enquadramento" mediático, onde a narrativa oficial tenta neutralizar as críticas científicas com dados de participação popular e sucessos biológicos isolados. O teleférico e suas consequências ficarão e perpetuam-se por 60 anos como desejado pelas partes. Dá para extinguir várias vezes a Freira da Madeira no estado em que ela está, ameaçada por turismo excessivo, ratos, gatos, drones e finalmente um teleférico justamente no seu corredor de voo.
O título destaca que a maioria das 78 participações é a favor do teleférico. Contudo, num processo de consulta pública sobre impacto ambiental, o valor de uma participação não deve ser medido pelo "voto" (sim ou não), mas pela substância técnica do argumento. 70 opiniões favoráveis de cidadãos comuns não anulam o parecer técnico negativo de uma entidade como a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), que se baseia em critérios científicos de conservação. Tratar um processo ambiental como uma "democracia do sim ou não" ignora que a sobrevivência de uma espécie não é negociável por maioria popular.
O artigo coloca, logo abaixo da polémica do teleférico, uma notícia positiva: "40 juvenis da freira-da-madeira nasceram em 2025". Tenta-se criar a ilusão de que a espécie está "bem" e, portanto, o projeto do teleférico não seria uma ameaça real. O sucesso reprodutivo de 2025 deve-se ao trabalho de conservação e controlo de predadores (ratos e gatos). Introduzir uma infraestrutura de grande porte num habitat tão restrito (Maciço Montanhoso Oriental) pode reverter todos estes ganhos em poucos anos.
O Governo Regional afirma manter "total confiança na robustez jurídica e técnica do projeto". Esta declaração é puramente política e ignora que a robustez técnica foi precisamente o que a SPEA contestou. A propaganda foca-se na "diversificação da oferta turística" e "gerar emprego", argumentos económicos que raramente pesam os custos ecológicos a longo prazo da perda de biodiversidade única.
De novo a ganância que nada respeita e ganha sempre. Quantas derrotas terá a natureza até responder violentamente? A insistência em projetos de massa em áreas sensíveis demonstra uma incapacidade de entender o limite do ecossistema. A Madeira é uma região autónoma com governo próprio, e a gestão do território deveria priorizar o património natural que é, afinal, o maior ativo da ilha.
A propaganda oficial tenta reduzir um desastre ecológico iminente a uma mera questão de "vontade da maioria", substituindo o conhecimento científico pelo interesse imediato de exploração turística.
Vão ganhar porque falta esclarecimento à população, sobretudo que o investimento acabará por usurpar a economia local para meia dúzia, basta o ponta A e o ponto B. Acordem. Sim ou não e palpites não trazem bom futuro, deixem-se de ser manipulados.
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