B
Vamos à vaca fria...
A análise da peça da DW Travel ("Too Many Tourists? How Madeira Deals with the Crowds") permite retirar conclusões e ilações que vão muito além do mero relato factual ou da cobertura jornalística tradicional que habitualmente se foca apenas no "problema versus a resposta oficial".
Olhando para a estrutura do vídeo e para a forma como os diferentes intervenientes são apresentados, podemos extrair políticas, socioeconómicas e reputacionais para a Madeira.
Não é que descobriram a fragilidade da narrativa oficial do "está tudo controlado"?! Eduardo Jesus já é o pior secretário do turismo de sempre ... na Alemanha e todos que vejam a peça no mundo através do Youtube. Eduardinho, deixa tudo correr mais um bocadinho que se vai resolver por si, a mal da Madeira. Quantas abordagens têm sido feiras no Madeira Opina. Continua inchado!
Uma das ilações mais evidentes surge no contraste direto entre o discurso político e a experiência no terreno. Quando confrontado com a pressão habitacional e o alojamento local, o Secretário Regional do Turismo, Eduardo Jesus, afirma categoricamente que "não há um impacto negativo (...), não há concentração de pessoas e não há problemas desse género na Madeira" [04:35].
Esta postura de negação absoluta ou minimização do problema perante uma das maiores cadeias de televisão internacionais (a DW) pode transmitir uma imagem de desconexão da realidade ou de falta de autocrítica por parte do Governo Regional. Eduardinho acha que todos nós somos burros e ele o único inteligente. Ao tentar "vender" uma imagem perfeita, o discurso oficial corre o risco de perder credibilidade perante um público estrangeiro perspicaz, que facilmente contrasta essas declarações com as imagens de ruas entupidas e parques de estacionamento caóticos exibidas no próprio documentário [01:40], [06:14]. O que vai acontecer é que Eduardinho pode ter horas e páginas de propaganda e ninguém liga. Efeito Trump.
O risco reputacional da desorganização tecnológica e fiscalização é facto notado. Não me digam! A reportagem expõe uma falha crítica na implementação das novas medidas de controlo de fluxos (como a taxa e reserva prévia de 4,50€ para as levadas) [05:58]
- Falta de fiscalização real: a repórter admite que fez o percurso sem que ninguém lhe controlasse o bilhete, referindo que a fiscalização é apenas "esporádica" [06:52].
- Má experiência digital: turistas entrevistados queixam-se de que o sistema retira espontaneidade à viagem e que o próprio website oficial do governo para as reservas "não é o melhor" e é "complicado", fazendo-os perder tempo [07:19].
- A ilação: criar taxas e regras burocráticas sem garantir uma plataforma digital intuitiva e uma fiscalização eficaz gera o pior dos dois mundos: frustra o turista cumpridor, não resolve o problema da sobrelotação (já que muitos continuam a ir sem bilhete na esperança de não serem apanhados) [06:20] e mancha a imagem da Madeira como um destino moderno e inteligente (Smart Destination).
A perceção do turista como "alvo financeiro" foi recordado, voltaram ao local do "crime" e nada mudou. A peça foca a inflação de preços direcionada ao visitante, exemplificada no Mercado dos Lavradores, onde a repórter menciona os "preços elevados tendo como alvo os turistas" [01:40].
- A ilação: há um perigo real de mercantilização excessiva da identidade madeirense. Quando os locais tradicionais deixam de ser pontos de partilha cultural e passam a ser vistos puramente como "armadilhas para turistas" (tourist traps), o destino começa a perder a sua autenticidade. A longo prazo, isto afasta o turismo de maior valor acrescentado e traz o turismo de massas descartável.
O contraste de atitudes entre Cruzeiros vs. Turismo de Natureza esteve presente. O vídeo expõe de forma subtil duas realidades distintas:
- Os passageiros de cruzeiros mostram-se muito mais tolerantes com as multidões ("eu não me importo com as pessoas porque somos todos turistas") [02:03], pois o seu modelo de viagem já pressupõe essa massificação de curto prazo no Funchal.
- Por outro lado, o turismo que procura as levadas e o interior da ilha reage de forma muito mais negativa à perda de espontaneidade e ao excesso de pessoas [07:19].
A ilação estratégica é de que a Madeira enfrenta uma crise de identidade sobre que tipo de destino quer ser. Tentar agradar em simultâneo ao turismo de massas de cruzeiro e ao turismo ecológico de exclusividade e silêncio gera um conflito de espaço e de expectativas que, se não for gerido com pinças, acabará por degradar o produto de natureza, que é o verdadeiro motor de sustentabilidade da ilha.
Os mesmos porquinhos que só querem saber de si contra os madeirenses que não fazem parte dos elegíveis do poder agora também têm os turistas a apontar-lhes os defeitos. Bem haja!
A privatização informal da solução (o papel dos expatriados) esteve em foco, com a solução prática para contornar a massificação apresentada no vídeo não vem de um plano de ordenamento público, mas sim de uma residente estrangeira (Ellie Cole) que descobriu trilhos alternativos para os mesmos locais [07:48]. Portanto, agora BTT, caminheiros, madeirenses, provas de desportivas começam a devastar a floresta procurando novos sítios que fujam das "manadas". É tipo o caminho das Ginjas pedestre/desportivo. Não é por acaso que Eduardo Jesus é o pior secretário de turismo de sempre, mas também do ambiente como vemos e da cultura com um cónego a serrar portas e a sua DRAC fica quieta. Um indivíduo pior secretário de sempre em 3 áreas.
A ilação, isto demonstra que o conhecimento sobre como gerir e dispersar os fluxos turísticos está a ser descentralizado. Se o governo se limita a aplicar taxas nos trilhos principais em vez de estruturar, sinalizar e promover ativamente rotas alternativas, o mercado paralelo e os guias privados assumirão esse papel, deixando o planeamento público sempre um passo atrás da realidade.
Para quem analisa o impacto político e de opinião pública na Região, a peça da DW serve de aviso, as medidas restritivas (slots e taxas) são compreensíveis, mas a sua execução técnica deficiente e a narrativa política de que "está tudo bem" geram fricção e expõem as fragilidades de planeamento de um destino que caminha a passos largos para os limites da sua capacidade de carga.
A reportagem, naturalmente, não falou do ponto de vista do madeirense, cada vez mais agressivo e em animosidade pelo exagero, aumento do custo de vida, privação de lugares, chatices na condução, etc.
Ainda aqui vamos senhor secretário, e você quer continuar a meter mais gente e mais carros. Qualquer dia você vai começar a sentir a animosidade na rua até que alguém o demita. Cabe agora ao jornalismo local dar tempo de antena aos comentadores de sempre para, pelo menos, conter a impressão local de que isto não é bom para ninguém, só para agiotas e gananciosos.
Agora é censurar a DW Travel, empresa pública de radiodifusão da Alemanha, como fazem ao Madeira Opina, até à catástrofe final...
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.