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Tanta cultura disponível numa era tão medíocre.

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A

 nível global, assistimos a um fenómeno preocupante onde a liderança política parece caminhar em sentido inverso ao desenvolvimento tecnológico e ao acesso à informação. Nunca a humanidade teve tantas ferramentas de literacia, dados e conhecimento científico ao virar de um clique, mas o debate público e a qualidade de quem nos governa sofrem de uma gritante falta de profundidade. A mediocridade instalou-se nas esferas de decisão mundiais, muitas vezes alimentada por discursos populistas, pelo imediatismo das redes sociais e por uma gritante falta de visão estratégica a longo prazo.

Este cenário global encontra um eco perfeito e preocupante na realidade da Madeira. Sendo uma região ultraperiférica com uma autonomia conquistada a pulso, a exigência sobre quem gere os destinos da nossa terra deveria ser redobrada. No entanto, o que se observa frequentemente é a perpetuação de clientelismos e uma gritante falta de massa crítica na gestão dos recursos públicos. A autonomia corre o risco de se esvaziar de substância quando o poder é exercido por quem demonstra fraca preparação técnica e uma gritante falta de sensibilidade cívica para os verdadeiros desafios do futuro, como a sustentabilidade, a habitação e a fixação de jovens talentos.

O nó górdio desta questão reside, contudo, no comportamento do eleitorado. Tanto no resto do mundo como na Madeira, a maioria destes governantes continua a ser legitimada nas urnas através do voto popular. Esta realidade diz muito sobre o estado de anestesia de uma sociedade que, apesar de ter toda a cultura disponível, abdica do escrutínio e da exigência em troca de favores conjunturais ou por mera inércia partidária. Enquanto o voto for um ato de submissão e não de exigência meritocrática, continuaremos a assistir à degradação das instituições e a ser governados por quem confunde o serviço público com um tabuleiro de interesses pessoais.

Tenho visto as publicações do Madeira Opina e impressiona o seguinte, de como nos artigos de opinião dos jornais se evita falar de tudo para cair em boas graças, fala-se do acessório, foge-se dos verdadeiros temas que preocupam a sociedade ou pelo menos existem com muitos a assobiar para o lado, bajula-se e se usa o espaço para promoção pessoal descaradamente. Vemos as escolhas a dedo, um fingimento da pluralidade. Chega-se à conclusão de que quem inseriu o anonimato na Opinião Pública criou um bastião contra a era de mediocridade, de vendidos, contra aqueles que compactuam com o que for preciso para ganhar dinheiro. Vemos no mundo e vemos aqui.

Há momentos da historia universal que narram quedas de impérios. Começo a pensar que vivemos um tempo desses e que num futuro próximo algo global vai acontecer e não será necessariamente para melhor, serão resultado de um obscurantismo populista que ignora a ciência e a experiência do passado para não voltar a cair nos mesmos erros.

Parabéns pelo Vosso trabalho Madeira Opina.

Nota: foi impressionante a quantidade de pessoas iludidas e enganadas pela propaganda do governo manipulando o LIDL.

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