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A costa sul da Madeira não é plana. Implementar um metro de superfície num território onde as cotas sobem e descem bruscamente exige uma de duas coisas, ou se ocupam as atuais estradas (retirando espaço aos carros), ou se constroem mais viadutos e túneis. Será um metro "de superfície" ou acabaremos com um "metro de túnel" com custos de construção astronómicos?
Os defensores do projeto apontam para o sucesso de cidades europeias de média dimensão. Contudo, o custo por quilómetro na Madeira é, historicamente, dos mais altos do mundo devido à geologia. Estaremos a desenhar um projeto que vai depender eternamente de subsídios públicos para bilhetes que as pessoas possam pagar? Ou será mais uma obra onde o lucro fica nos grandes grupos de construção e o prejuízo no Orçamento Regional?
Muitos especialistas sugerem que, antes de enterrar carris, a Madeira deveria apostar no BRT autocarros elétricos de alta capacidade com faixas exclusivas. É mais barato, flexível e utiliza a infraestrutura já existente. No entanto, reconheço que não tem o mesmo "charme" político nem a mesma capacidade de transporte de um metro ligeiro sobre carris.
Por outro lado, um metro que pare na periferia do Funchal não resolve o problema. Para ser eficaz, teria de atravessar o centro da cidade. Estarão os comerciantes e residentes do Funchal preparados para anos de obras e para a reestruturação total do trânsito urbano?
O objetivo tem de ser tirar carros da estrada e dar dignidade a quem vive em Santa Cruz ou no Caniço e trabalha no Funchal. Se o metro for planeado para servir as populações e não para alimentar narrativas eleitorais ou negócios de betão, pode ser a maior revolução na ilha desde a construção das Via Rápidas.
O debate sério não é se o metro é "bonito", mas sim, quanto custa, quem paga e se realmente nos faz chegar a casa mais cedo.
Temos cá uma sina com transportes, carros, ferry, avião...
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