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Onde anda a DRAC?

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 insistência do Governo Regional (GR) em reivindicar a tutela e a posse dos monumentos nacionais na Madeira revela uma profunda contradição quando confrontada com a passividade da Direção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC) perante episódios de reabilitação arbitrária, como o polémico corte da porta da Sé.

Esta ambição patrimonial, longe de visar a salvaguarda rigorosa da história, parece servir primariamente como uma estratégia de expansão do controlo institucional e de capitalização política do edificado histórico. Ao lutar pela titularidade destes monumentos, o poder político garante o direito de gerir orçamentos de restauro, inaugurar obras e moldar a narrativa identitária da Região, usando o património edificado como um sumptuoso cenário para a sua própria autoproclamação e propaganda.

No entanto, o silêncio sepulcral e a demissão de funções da DRAC face à intervenção direta da hierarquia da Igreja na Sé Catedral expõem as costuras de uma aliança tácita. Ao remeter-se à inação perante uma clara violação das regras de conservação patrimonial (Monumento Nacional Classificado) por parte de um Cónego, o organismo público que deveria fiscalizar demonstra que o rigor técnico capitula perante a conveniência política e religiosa.

Esta complacência institucional sugere um pacto de não-agressão: a tutela fecha os olhos à ingerência e à autonomia excessiva da Diocese na gestão física dos templos, enquanto a Igreja, em contrapartida, valida a presença assídua dos governantes nos altares e perdoa as falhas éticas do poder político. Trata-se de um sistema de pesos e contrapesos onde a autoridade moral de uma instituição é usada para branquear a imagem da outra.

Esta dinâmica de cumplicidade vai muito além da cortesia institucional ou do folclore de apresentações literárias conjuntas, configura um verdadeiro mecanismo de proteção mútua, onde "uns cobrem os rabos de palha dos outros". Num ecossistema político pequeno e centralizado como o madeirense, a dependência financeira e a partilha de segredos criam uma teia onde ninguém se pode dar ao luxo de denunciar o vizinho.

Se a DRAC atuasse com a devida severidade contra os abusos no património religioso, abriria um precedente perigoso de escrutínio que poderia ricochetear contra os próprios meandros do Governo Regional. Se a Igreja apontasse o dedo à negligência ou à corrupção política, arriscaria as subvenções e os privilégios de que goza na Região. Assim, o silêncio cúmplice passa a ser a moeda de troca ideal para garantir a sobrevivência e a impunidade de ambos os lados da barricada.

E se o Vaticano souber, os tentáculos chegam também lá? Alguém cortaria uma porta uma porta de referência no Vaticano?

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