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O concurso já está decidido

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Falta só fingir na festa do 6 de maio na UMa

H

á concursos públicos. E depois há exercícios de ficção administrativa — onde o guião está fechado antes mesmo de se abrir o aviso. O Edital n.º 902/2025 é didático. Enquanto outros concursos ainda fingem avaliar percursos de forma integrada, aqui opta-se por um modelo mais honesto na sua desonestidade: um “comboio” com carruagens obrigatórias e bilhete nominal. Quem não tiver exatamente o percurso alinhado — nem mais, nem menos — fica automaticamente fora. Não por falta de qualidade, mas por excesso de realidade.

E o mais elegante é o ritual. Admite-se o candidato, para não ferir a estética do procedimento. E depois exclui-se, com a frieza de um algoritmo mal disfarçado.

Tudo isto, claro, em nome da legalidade.

Ordenam-se candidatos, fecha-se o processo, homologa-se depressa. A pressa, aqui, não é eficiência. É prevenção.

O problema já nem é disfarçado. É assumido em prática corrente: concursos que não procuram os melhores — procuram os certos. E quando assim é, o resto torna-se acessório. Incluindo a transparência e já agora, a decência institucional.

Mas há um limite para tudo. Até para a normalização do absurdo.

E quando esse limite é ultrapassado vezes suficientes, deixa de ser um problema interno. Passa a ser um escândalo à espera de nome próprio.

E dessa vez, não há edital que consiga afunilar a realidade.

É um sistema afinado para parecer justo, enquanto garante que nada, absolutamente nada, sai do controlo. Não admira que vice reitora Catarina Fernando tenha sacudido a agua do capote. A coisa vai ficar feia e quem assumiu a decisão final vai para a reforma em junho de 2026. Que plano bem pensado sr reitor para enfiar o seu genro, ainda por cima num curso que não tem alunos e abre duas vagas para disfarçar a coisa…

E depois há uma palavra que explica muita coisa, nepotismo. Imagina que tens um jogo para escolher quem é o melhor, mas, antes de começar, alguém já decidiu que o vencedor vai ser um amigo ou alguém da família. Mesmo que outra pessoa jogue melhor, não interessa. O resultado já estava escolhido. É isso. Só que aqui não é um jogo, são carreiras, pessoas e dinheiro público. Universidade da Madeira são vários os casos de nepotismo.

E quando o mérito se torna um problema, já não estamos perante um concurso.

Estamos perante uma farsa.

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