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A sintonizar estações...

Os "escravos" devem mudar a sua atitude com o telemóvel.

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om certeza você já se deparou com a coincidência de falar sobre um assunto e aparecer um publicidade directa ou conexa ao assunto numa rede social ou internet no seu telemóvel. Com certeza você já viu o desplante do telemóvel a dizer para não tapar o microfone por causa da disponibilização de serviços. Por outro lado, você já se sente "escravo", é "funcionário da "banca", do "supermercado", da "bomba de gasolina", etc. Você chega estafado, anda em burnout, a dormir mal e por isso medica-se, o stress mata aos poucos como a hipertensão.

Um dos maior factores de stress é estar sempre pendente do telemóvel e dá-lhe prioridade. O mundo não vai acabar, primeiro está você e deve dominar o seu tempo e não ser "escravo" de toda a gente.

A era de estarmos permanentemente disponíveis para qualquer chamada chegou ao fim. Deve chegar ao fim. O que antes era uma ferramenta de proximidade transformou-se numa porta aberta para o abuso, para a publicidade agressiva, a invasão de privacidade e, no pior dos cenários, o crime organizado.

Num mundo onde os nossos dados valem dinheiro, mudar de atitude perante o uso do telemóvel não é uma questão de antipatia, é uma regra básica de sobrevivência e legítima defesa. Os seus dados foram roubados no SESARAM e, passado todo este tempo, apesar de haver lei, ninguém se importou com isso e o máximo responsável nunca perdeu o pé na Saúde.

A lógica deve inverter-se. Hoje em dia, as grandes empresas, operadoras e serviços públicos protegem-se atrás de barreiras intransponíveis:

  • Atendedores automáticos intermináveis ("marque 1 para isto, marque 2 para aquilo").
  • Tempos de espera indefinidos que consomem o nosso tempo.
  • Exigências rigorosas de segurança mútua (autenticação em dois passos).

No entanto, essas mesmas entidades, e uma rede infindável de empresas de marketing e burlões, acham que têm o direito de interromper a nossa atividade profissional ou o nosso descanso a qualquer hora do dia. Acabou. Nós não temos de estar sempre disponíveis para quem não conhecemos. Para o nosso bem, temos os números dos amigos confiáveis e de outras relações, raramente alguém liga sem aviso ou motivo, mas existe SPAM. Por outro lado, da minha vivência, nunca um número estranho me quis o bem, foi sempre para me extrair algo, contrato da NOS ou MEO, vendas de seguros, etc.

Porque é que esta gente, que tem os nossos contactos, não comunica por meio indirecto para avaliarmos se queremos? Claro que é para nos prender com as suas técnicas de abordagem ou de assédio.

Para combater este ecossistema de abusos, a mudança de comportamento tem de ser radical e coletiva. Aqui estão as novas regras de ouro:

1. Se não conhece o número, não atenda:

A regra número um é a mais simples. Dos seus amigos e familiares, você já tem o número guardado. Dos serviços oficiais e essenciais (como lembretes de consultas médicas ou entregas pendentes), a norma atual é o envio de SMS ou notificações institucionais. Se for mesmo importante e legítimo, haverá outro canal de contacto.

2. O ónus da prova é de quem liga (Via SMS):

Se uma entidade ou indivíduo fidedigno precisar mesmo de falar consigo a partir de um número desconhecido, cabe-lhes a responsabilidade de se identificar.

O novo protocolo: quem liga e não encontra resposta deve enviar um SMS claro, identificando-se formalmente (Nome/Empresa e o motivo concreto) e solicitando o retorno da chamada. Deve através de um dado mostrar que é fidedigno. Isto permite-lhe avaliar a veracidade do contacto antes de devolver a ligação.

3. Denunciar sempre, crie o escudo comunitário:

Não se limite a desligar ou a ignorar. O ecossistema Android e outras plataformas dependem da inteligência coletiva para bloquear os criminosos. Sempre que suspeitar de uma chamada, use as ferramentas do seu telemóvel para Bloquear e Denunciar. Isto alimenta as bases de dados globais contra:

  • SPAM Comercial: Chamadas agressivas e não autorizadas.
  • Phishing / Smishing: Tentativas de roubo de dados de acessos bancários.
  • Spoofing: Números falsificados que imitam empresas reais.
  • Burlas do "Olá Pai/Olá Mãe" e redes de tráfico, esquemas desenhados para explorar a vulnerabilidade emocional.
O cenário vai piorar, proteja-se.

O subdesenvolvimento digital e a sofisticação do crime organizado alimentam máfias, roubos de identidade e fraudes financeiras à escala global. Com o avanço da Inteligência Artificial, as vozes podem ser clonadas e os argumentos tornam-se cada vez mais convincentes.

Se as regras do jogo mudaram e o perigo espreita a cada toque, a sua postura também tem de mudar. Feche a porta digital a desconhecidos. Proteja o seu tempo, o seu dinheiro e a sua paz de espírito.

Atender uma chamada ou premir um link pode ser fatal, a porta para o "cavalo de Troia". Mude!

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