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Quando surge a crise ou agressão laboral o povo prefere a esquerda

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  • https://expresso.pt/politica/2026-05-19-ps-lidera-intencoes-de-voto-e-carneiro-e-visto-como-melhor-primeiro-ministro-e78a468b

A

s sondagens dão fôlego ao Partido Socialista, depois de Miguel de Sousa ter determinado o fim das Esquerdas, o que coloca o partido à frente da AD e do Chega, e a afirmação de José Luís Carneiro como o líder político mais popular do país. Este cenário demonstra que, perante a instabilidade e a iminência de crises sociais, o eleitorado tende a procurar o porto de abrigo tradicional do centro-esquerda. 

O PS capitaliza claramente o desgaste do atual xadrez político, apresentando-se aos olhos dos portugueses como uma força de estabilidade e um contrapeso institucional necessário face a dinâmicas governativas mais imprevisíveis. Quer dizer, os populistas do Chega daqui a pouco já falarão à Esquerda desde que dê votos.

O gatilho para esta inversão de tendências prende-se, de forma evidente, com a perceção de uma agressão aos direitos laborais e com as tentativas de forçar alterações profundas à lei do trabalho sem o devido consenso dos parceiros sociais. A aprovação de propostas de revisão laboral em Conselho de Ministros, à revelia do acordo na Concertação Social, funciona como um sinal de alerta para a classe trabalhadora. Historicamente, sempre que as franjas mais vulneráveis ou a classe média sentem que a segurança e a dignidade do seu emprego estão sob ameaça, o voto de protesto ou de refúgio canaliza-se para quem promete blindar o Estado Social e travar o ímpeto desregulador da Direita.

Só não sei porque arriscam, às vezes dá mesmo para o torto.

A somar a isto, o debate em torno de mexidas estruturais e de propostas de revisão constitucional que não foram validadas ou sufragadas em eleições gera um profundo mal-estar cívico. Quando os cidadãos percebem que regras fundamentais do jogo democrático ou equilíbrios institucionais, como os que envolvem o Tribunal Constitucional, correm o risco de ser desfigurados sem o devido escrutínio popular, a reação natural é penalizar quem governa.

O povo prefere a prudência e a segurança jurídica da Esquerda à pressa ideológica, provando que a pressões sobre o mundo do trabalho e o património constitucional continuam a ser linhas vermelhas que os eleitores não hesitam em defender nas urnas.

É pena que uns estraviados do juízo, que confundem tudo em política, achem que só existe a Esquerda de Maduro e não a Esquerda do Estado Social que os recebe. Se fugiram, não estraguem a nova casa.

Só há um problema, continuarão a ter Direita pela soma, e o PSD é uma geração de Chegas. O mundo não está flor que se cheire, é bom olhar à volta e jogar seguro.

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