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O contraste foi impossível de ignorar. Enquanto lá dentro se distribuíam elogios pomposos, cá fora multiplicavam-se relatos de funcionários e munícipes que já nem conseguem esconder o incómodo quando se cruzam com certas figuras. Ainda assim, os especialistas em inclinações de coluna vertebral continuam firmes. Porque há quem tenha transformado o bajulamento numa modalidade olímpica.
Multiplicam-se histórias de recibos verdes, concursos feitos à medida e coincidências políticas demasiado convenientes. Porque os trabalhadores não são cegos. Veem quem sobe, quem é protegido e quem continua eternamente esquecido. O padrão repete-se mandato após mandato. Os mesmos promovidos, os mesmos protegidos e os mesmos jogos de bastidores. Mérito e competência ficam muito bem nos discursos.
Na prática, o verdadeiro currículo de sucesso parece continuar a ser obedecer sem questionar e dominar a arte do elogio estratégico. Os funcionários íntegros tornam-se incómodos. Porque fazem perguntas. Porque ainda acreditam que serviço público devia funcionar com critérios sérios e não por favoritismos. Depois vieram as famosas mobilidades e “reorganizações estratégicas”. Uns chamam modernização. Outros preferem chamar distribuição cirúrgica de lugares. E claro, surgiram também as míticas “equipas de projeto”. Nomes modernos, coordenadores nomeados, suplementos atribuídos e despachos cheios de palavras técnicas. Só faltou aparecer o projeto em si.
Depois chegam as avaliações de desempenho. Até porque já no ano passado houve classificações atribuídas de forma que muitos consideram tudo menos transparente e legal, funcionárias ausentes longos períodos acabam levando com notas exemplares que depois convenientemente transitam e arrastam essas notas para anos seguintes. Jogadas de bastidores.
Por outro lado, trabalhadores esquecidos apesar de anos de dedicação e outros distinguidos de forma quase milagrosa. Porque nesta Câmara, dizem muitos, as avaliações parecem funcionar menos como reconhecimento de mérito e mais como gestão de conveniências. Agora resta perceber se esta pouca vergonha vai continuar com o atual executivo, porque existe a ausência total de receio. E talvez seja precisamente isso que muitos sentem hoje na Ribeira Brava, a única coisa renovada foi a embalagem do mesmo velho sistema.
Basta consultar o site do município e os procedimentos concursais publicados para verificar que existem candidatas a exercer funções na câmara através de recibos verdes e programas que, numa fase inicial, foram excluídas do procedimento concursal, surgindo posteriormente na lista de candidatos admitidos.
Além disso, também estão disponíveis editais relativos às avaliações SIADAP do último biénio, onde alguns funcionários obtiveram a classificação de “Excelente”, apesar de, alegadamente, não reunirem os critérios legalmente exigidos nem os definidos em despachos publicados pela própria entidade.
Também encontram-se publicadas as referidas mobilidades realizadas logo após a tomada de posse, bem como os alegados projetos para nomear coordenadores que, na prática, nem sequer existem esses projetos.
Toda esta informação é pública e pode ser confirmada através da consulta dos documentos disponibilizados pelo município.
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