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As ameaças ao futebol

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 futebol tem origens humildes, uma oportunidade de muitos com fracos recursos serem alguém na vida, mas também de sobretudo pessoas comuns que assistem. No entanto, parece que tudo está a mudar, o futebol tornou-se milionário e pretende ser de uma elite. Este Mundial de Futebol deveria ser o encontro que de 4 em 4 anos festeja o desporto interclassista que deveria colocar lado a lado todos independentemente do seu estatuto.

Dei comigo a pensar que logo aqui na Madeira temos uma criatura que olhando pelos negócios de alguns anda a ostracizar o futebol, falo de Miguel Albuquerque o seu fetiche do Golfe elitista, mas sinceramente, agora fico baralhado com o inarrável Infantino que coloca à venda bilhetes milionários e que o verdadeiro mundo do futebol não tem acesso. O bilhete sai mais caro que voo e estadia, em muitos casos.

Se continuarmos assim,  deixaremos de ter adeptos para passar a ter ricos a jogar, ricos a gerir, ricos nas cúpulas máximas, ricos a publicitar, ricos agentes, ricos clubes e selecções com os adeptos sendo um somenos do negócio milionário. Aos preços que estão os bilhetes do mundial parece que andamos a desvirtuar mais uma área com a nova vaga de CEO's que só veem dinheiro pensando no seu, nos prémios e nos acionistas e não o futuro. Vejo muitas místicas a se perder no mundo justamente por esta dinâmica puramente economicista, o produto já nem conta, conta a oportunidade que o "embrulho" dá.

Sinto muitas áreas a perderem a sua alma e o futebol vai a caminho, existe a perda da identidade local e o adepto passou a cliente. Porquê ter o clube do coração? Já não se criam adeptos, geram-se consumidores. O adepto de bancada, que sofria pelo clube do bairro ou da sua região, está a ser empurrado para fora do estádio pelo preço proibitivo dos bilhetes e das camisolas oficiais. O futebol moderno prefere o 'turista corporativo', aquele que nem acompanha, nem sabe nomes de jogadores nem valoriza, mas acha "in" e tem dinheiro, vai ao estádio tirar uma selfie para o Instagram com um bilhete VIP pago por uma empresa. O adepto fervoroso que canta os 90 minutos mas que já não tem carteira para este circo, qualquer diz nem pela televisão. Eu já não sinto o ambiente do Mundial de outros tempos.

A ganância da FIFA e da UEFA não tem limites. O alargamento constante de competições (como o novo mundial de clubes ou o formato Champions) serve apenas para espremer os jogadores até ao limite físico, tudo em nome de mais direitos televisivos. O futebol de seleções, que antes parava o país numa comunhão genuína, agora parece um frete que atrapalha os interesses dos grandes fundos de investimento que gerem os clubes europeus. Vejo a "febre" a esmorecer. Vejo jogadores estoirados a chegar ao fim da época com as pernas estoiradas para o torneio mais importante

Os novos estádios são autênticos centros comerciais com um relvado no meio. Estão a higienizar o futebol, a proibir as bandeiras, os cânticos espontâneos, a fechar o espaço às claques organizadas legítimas para dar lugar a camarotes com catering de luxo. Agora juntam-se ao acaso no estádio. Querem transformar o desporto rei, que sempre foi do povo, numa ópera silenciosa para elites passivas.

E se a nível global temos Infantino a vender o futebol ao melhor licitador, a nível local vemos a mesma mentalidade de 'asfalto e betão' aplicada ao desporto. Quando se prefere investir e subsidiar desportos de nicho e de resort, como o golfe de Albuquerque, em detrimento do apoio ao desporto de formação e aos clubes de bairro que tiram os miúdos da rua, percebemos que o vírus do elitismo partilha do mesmo ADN, seja em Zurique ou no Funchal. O objetivo é o mesmo, governar para os poucos que podem pagar.

O perigo real é que o futebol se torne num circuito fechado. A obsessão pela criação de Superligas e torneios privados mostra que os grandes clubes já não querem correr o risco de perder contra os mais pequenos. Querem eliminar o fator romântico da Taça, a surpresa do tomba-gigantes. Querem um produto previsível, formatado para as televisões americanas ou para os petrodólares do Médio Oriente, onde o mérito desportivo é substituído pelo tamanho da conta bancária. Com ídolos forjados para haver ais um motivo para vender.

Será que vai dar um birra ao Trump para mandar Infantino ganhar quem lhe apeteça? Se não for o que quer a taça será entregue? Temos loucos para isso. É impressionante a quantidade de casos neste Mundial, como conseguem desmobilizar o verdadeiro mundo do futebol.

Quero agradecer ao Madeira Opina a dica que nos deu:

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