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| Qualquer semelhança é pura coincidência. |
N
Mas, como até os relógios avariados acertam duas vezes por dia, chegou o momento em que os restantes moradores resolveram olhar para as contas em vez de ouvirem os sermões. Bastaram poucas páginas para perceberem que o guardião do cofre se comportava mais como cliente habitual do que como administrador. O resultado foi simples: tiraram-lhe imediatamente as chaves da conta, fecharam-lhe a torneira e mandaram-no passear. Pela primeira vez em muito tempo, Mr. White teve de pagar os próprios cafés e encher a barriga à sua própria custa - e a tragédia foi tão grande que quase exigia um minuto de silêncio.
Desde esse dia, o outrora afável distribuidor de elogios transformou-se num azedo profissional. Passou a insultar precisamente aqueles que antes bajulava com entusiasmo, descobrindo defeitos em toda a gente menos no espelho. Como já ninguém lhe entregava o cofre nem dava importância às suas lamúrias, restou-lhe o palco onde ainda conseguia algum eco: as redes sociais. Foi ali que passou a despejar diariamente o seu azedume, convencido de que continuava a ser um herói incompreendido, quando, na verdade, para a maioria dos habitantes da velha Casa da Câmara Pestana, não passava de uma caricatura ambulante de um falso moralista que confundia o dinheiro dos outros com a carteira dele.
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