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História White.

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Qualquer semelhança é pura coincidência.

N

a velha Casa da Câmara Pestana vivia um sujeito conhecido por Mr. White, um velhaco gordo, sôfrego e especialista em distribuir abraços interesseiros. Cumprimentava toda a gente com um sorriso ensaiado, dizia "Mai nada!" a quem lhe aparecesse pela frente e fazia discursos intermináveis sobre honestidade, transparência e elevados princípios. Só havia um pequeno detalhe que nunca fazia questão de mencionar: o único amor verdadeiro da sua vida era o cofre da casa, cuja gestão lhe tinha sido confiada. E, curiosamente, o dinheiro desaparecia à mesma velocidade com que apareciam jantaradas, copos bem servidos, passeios, compras em centros comerciais, férias convenientes e até um vistoso automóvel oferecido ao inseparável comparsa, Mr. Michael. Eram uma dupla tão afinada que, se existisse um campeonato de espertismo, dificilmente deixariam escapar o primeiro lugar.

Mas, como até os relógios avariados acertam duas vezes por dia, chegou o momento em que os restantes moradores resolveram olhar para as contas em vez de ouvirem os sermões. Bastaram poucas páginas para perceberem que o guardião do cofre se comportava mais como cliente habitual do que como administrador. O resultado foi simples: tiraram-lhe imediatamente as chaves da conta, fecharam-lhe a torneira e mandaram-no passear. Pela primeira vez em muito tempo, Mr. White teve de pagar os próprios cafés e encher a barriga à sua própria custa - e a tragédia foi tão grande que quase exigia um minuto de silêncio.

Desde esse dia, o outrora afável distribuidor de elogios transformou-se num azedo profissional. Passou a insultar precisamente aqueles que antes bajulava com entusiasmo, descobrindo defeitos em toda a gente menos no espelho. Como já ninguém lhe entregava o cofre nem dava importância às suas lamúrias, restou-lhe o palco onde ainda conseguia algum eco: as redes sociais. Foi ali que passou a despejar diariamente o seu azedume, convencido de que continuava a ser um herói incompreendido, quando, na verdade, para a maioria dos habitantes da velha Casa da Câmara Pestana, não passava de uma caricatura ambulante de um falso moralista que confundia o dinheiro dos outros com a carteira dele.

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