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Mesmo indo a concurso, todos nós já sabemos o resultado. É normal?

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A Madeira é uma economia de meia dúzia com o Governo a afunilar negócios para os mesmos, é lógico se perguntar se estes negócios não têm sócios anónimos. Porquê sempre os mesmos? A fama é tão má que ninguém aparece a concorrer? Os negócios do Governo na Madeira parecem o mesmo fenómeno dos empregos na Função Pública sempre à volta das mesmas famílias, elites e militantes.

A

 privatização da Marina do Porto Santo repete o erro crónico cometido nas restantes marinas da Madeira, entregar infraestruturas estratégicas a grupos de construção civil que não percebem nada de náutica, mas percebem tudo de ajustar contas públicas. Só pretendem chegar às obras. O modelo é o do costume, os privados fazem as obras, exploram o espaço, e o contribuinte paga a fatura, seja lá qual for, porque tal como nos concursos, como o do hospital, o preço acordado tem sempre portas do cavalo. Eu às vezes pergunto-me se isto não é o controlo das "portas da droga".

Uma marina devia funcionar como um "produto âncora". O objetivo não é lucrar de forma gananciosa com o "estacionamento" dos barcos, mas sim atrair os milhares de velejadores que cruzam a rota do Atlântico para que consumam no comércio local, na restauração e nos serviços da ilha. Nos Açores e nas Canárias, a gestão pública garante preços competitivos para dinamizar a economia real. Por cá, ao dispararem os preços para valores absurdos (na ordem dos 50€/dia), o Porto Santo entrará direto para a "lista negra" das aplicações náuticas, empurrando o turismo e a riqueza para as Canárias. É por isso que isto até parece negócio para chegar às obras e temo pelas "portas da droga".

Este descalabro esconde uma lógica matemática inevitável, tudo o que rende na Madeira está a ficar concentrado nas mãos de uma meia dúzia de apelidos "do costume". Sob o pretexto da "modernização", o património que é de todos é oferecido de bandeja aos "do costume". E isto levanta a velha e legítima suspeita, a quem servem realmente estes negócios que asfixiam a economia local? No xadrez político da Região, estas jogadas parecem desenhadas para alimentar testas-de-ferro, insinuando o regresso daquela velha fórmula bem conhecida das nossas ilhas, a dos sócios secretos, que enriquecem na sombra sem nunca darem a cara. Enquanto isso, o povo do Porto Santo fica com as sobras e paga a conta da ganância. O povo consente como já vimos com a PSL e GR quando podem se afirmar, com um Presidente da Câmara que pelas atitudes "imobiliárias" é outra peça do esquema.

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