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Esta é uma daquelas realidades que mostra como a pressa em faturar e a falta de planeamento estratégico acabam por canibalizar o maior ativo que temos, a nossa própria natureza. O que está a acontecer na serra madeirense é um ciclo vicioso de reações descontroladas e "chico-espertismo", tanto por parte de quem nos governa como de quem tenta fugir às regras.
Albuquerque abre caminhos na sua nova estratégia, é para combater incêndios florestais e os turistas fazem o mesmo, abrem novos caminhos para não pagar. É a desordem do turismo massivo onde não há cancelas nem redes ovelheiras que salve.
A pressa em taxar o acesso às levadas e trilhos turísticos parecia, no papel da governação regional, a galinha dos ovos de ouro. Mas a montanha pariu uma grande ninhada de ratos, aos milhares ou milhões e os ratos que roem a floresta. Ao espetarem-se cancelas e postos de cobrança "no meio do nada", o resultado previsível não tardou, a criação de caminhos clandestinos. Para fugir ao pagamento, começam a nascer atalhos que circundam os controlos, rasgando o coberto vegetal e provocando uma pressão humana em zonas que deveriam estar intocadas. Agora dá porrada na cancela, mas no futuro dão a volta por outro lado.
Isto não é um caso isolado; junta-se ao abuso crescente de modalidades como o BTT em zonas pedonais ou de Laurissilva sensível, onde a erosão do solo é severa e acelerada.
O mais caricato (e trágico) é que este comportamento do cidadão comum ou do turista reflete, à escala micro (ou não), a mesma filosofia que Miguel Albuquerque e o Governo Regional têm aplicado à macroescala. Depois da "Estrada" das Ginjas, abrem-se estradões e rasgam-se caminhos com a eterna cartada de que são "vias estritamente necessárias para o combate a incêndios".
Logo a seguir, com as alterações cirúrgicas aos Planos Diretores Municipais (PDMs), esses caminhos de terra batida ganham uma nova utilidade. Onde antes era floresta protegida, passam a brotar "casas de campo", turismo rural de luxo e construções privadas. Escrevam o prognóstico!
A icónica e polémica Estrada das Ginjas foi o tubo de ensaio, como deu errado, novas estratégias são lançadas. Agora, o modelo institucionalizou-se. O pretexto da segurança e da proteção civil serve de tapete vermelho para o betão e para a especulação imobiliária nas zonas altas.
A nossa serra está a ser espremida por dois lados, pela ganância política que vê a floresta como um estaleiro ou um multibanco, e pela falta de civismo de quem acha que a natureza é um parque de diversões sem regras. Se continuarmos neste caminho, daqui a uns anos não haverá Laurissilva para cobrar entrada, restando apenas estradões de terra e betão mascarados de ecoturismo.
Entretanto, quantos madeirenses deixaram de usufruir da sua própria terra, acham que vão para a serra descansar no meio do caos de carros e do palrar de pessoas em fila indiana na serra. Destruiu-se toda a qualidade de vida na Madeira, a culpa é de Eduardo Jesus e Miguel Albuquerque.
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