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A sintonizar estações...

Quando demitem Eduardo Jesus em vez desta alegoria da propaganda todos os dias?

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Já afastamos o bom turismo e vamos rebentar com o massivo.

P

rimeiro, criaram a miragem. Venderam a nossa terra ao desbarato, abriram as portas de par em par e alimentaram a ilusão de um crescimento económico infinito baseado no betão e nas massas. Agora que a Madeira está a rebentar pelas costuras, os nossos governantes correm desesperadamente atrás do prejuízo que eles próprios provocaram. A propalada "teoria da dispersão turística" (a elasticidade, um milagre de Jesus) falhou rotundamente, não há dispersão que resista à realidade crua de uma ilha pequena e sobrecarregada, onde os pontos de maior atração se transformaram em autênticos formigueiros humanos.

A notícia relata o "novo descontentamento no portão do Areeiro", é o retrato perfeito deste colapso de gestão. Instalaram portões a meio da montanha na Pedra Rija, criaram taxas, inventaram slots de horários e burocracias, mas falham no básico, a organização. Ver turistas encurralados numa serra, à espera que funcionários apareçam para abrir um cadeado após as 8 horas da manhã, sem instalações sanitárias abertas e com os cafés fechados, demonstra uma total falta de respeito por quem nos visita e uma incompetência confrangedora de quem tutela o setor.

Tolo é o governante que provocou isto. Tolo é quem achou que governar uma região ultraperiférica era transformá-la num parque de diversões temático sem regras de capacidade de carga. O resultado desta ganância puramente economicista está à vista de todos, destruímos a mística da tranquilidade que nos caracterizava, asfixiámos a qualidade de vida dos madeirenses e, em troca, estamos a oferecer uma experiência degradante a quem nos escolhe. Transformaram os picos emblemáticos da Madeira num guiché burocrático de descontentamento e frustração.

Muitos destes visitantes pagaram as suas férias na Madeira com os seus sonhos, poupando meses a fio para conhecer o paraíso verdejante que viram nos cartazes promocionais. Em vez disso, encontram barreiras físicas na natureza, caminhos condicionados, desorganização crónica e a sensação de que são apenas números numa folha de Excel da governação regional. Matámos a alma do nosso turismo e afastámos o verdadeiro viajante, se continuarmos a tratar a nossa maior riqueza com este amadorismo mercantilista, o futuro da nossa terra será tão cinzento quanto o desespero de quem fica retido num portão na montanha.

O pior secretário regional de sempre, sem sobra para dúvidas, a incompetência sim tem elasticidade.

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