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A Autonomia foi uma das maiores conquistas da democracia portuguesa. Permitiu aproximar as decisões dos cidadãos, impulsionou o desenvolvimento económico e social, modernizou infraestruturas, reforçou a identidade regional e deu aos madeirenses uma voz mais forte na construção do seu próprio futuro.
Mas uma Autonomia que não evolui corre o risco de estagnar e o mar não poderá ser o nosso principal obstáculo.
Passadas várias décadas, continuam a existir condicionantes que limitam o pleno exercício da Autonomia. A insularidade e a ultraperiferia continuam a representar custos acrescidos para as famílias e para as empresas. Em demasiadas matérias estratégicas, a Madeira continua dependente de decisões tomadas em Lisboa, muitas vezes sem o devido conhecimento da realidade insular. A autonomia política nem sempre é acompanhada pela autonomia financeira e legislativa de que a Região necessita para responder, com eficácia, aos seus próprios desafios.
Ser autónomo não significa querer menos Portugal. Significa querer um Portugal mais justo, que reconheça que tratar de forma igual realidades diferentes é perpetuar desigualdades. A coesão nacional também se constrói respeitando as especificidades de cada território e dotando-o dos instrumentos necessários para decidir o seu futuro.
Ao mesmo tempo, a Autonomia exige responsabilidade. Não basta reivindicar mais competências; é fundamental exercê-las com rigor, transparência, visão estratégica e sentido de serviço público. A Autonomia deve servir os madeirenses, não interesses partidários, pessoais ou conjunturais.
O futuro da Madeira dependerá da capacidade de afirmar uma Autonomia mais moderna, mais exigente e mais ambiciosa, capaz de negociar com firmeza junto da República e da União Europeia, de atrair investimento, fixar os jovens, diversificar a economia, reforçar a inovação e garantir oportunidades para todos.
Neste 1 de Julho, celebramos o passado com orgulho, mas olhamos para o futuro com determinação. A melhor homenagem que podemos prestar aos que conquistaram a Autonomia é continuar a aperfeiçoá-la, tornando-a mais eficaz, mais próxima das pessoas e verdadeiramente capaz de responder aos desafios do século XXI.
Porque a Autonomia não é um ponto de chegada. É um compromisso permanente com o desenvolvimento, a liberdade, a responsabilidade e a dignidade de todos os madeirenses.
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