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A segunda vaga teve destino mais atribulado. A candidata classificada em segundo lugar, demonstrando uma surpreendente lucidez financeira, preferiu continuar na sua posição confortável numa grande empresa regional. Uma decisão que muitos consideram ter sido o momento mais racional de todo o processo.
Mas eis que surgiu a solução milagrosa.
Já que não quis a vaga, porque não convidá-la para dar umas horas?
Assim nasceu o conceito revolucionário do professor que não quer ser contratado mas continua a ser indispensável. Não serve para ocupar a vaga permanente, mas serve para tapar os buracos deixados pela vaga permanente.
Os candidatos seguintes também desapareceram de cena e a cadeira permaneceu vazia.
O mais curioso é que, apesar da falta de docentes, da necessidade reconhecida de reforço e de uma vaga por preencher, existia no próprio departamento uma docente excluída antes sequer de chegar à fase de avaliação comparativa. Coincidência, dirão uns. Azar, dirão outros.
Os mais maliciosos perguntam apenas se o problema não seria precisamente o contrário: mérito a mais, ambição a mais e potencial para causar desconforto a quem prefere águas calmas.
Imaginemos o cenário. A docente entrava, consolidava currículo, terminava novos projetos académicos e continuava a publicar. Daqui a alguns anos poderia ambicionar provas de agregação e, quem sabe, disputar posições de liderança num departamento que há muito tempo é apontado como necessitado de um verdadeiro professor catedrático para lhe dar rumo.
Perante semelhante possibilidade, algumas penas terão ficado naturalmente eriçadas.
Entretanto, o departamento continua sem a liderança sénior que muitos consideram essencial. A vaga permanece vazia, os convidados multiplicam-se e as soluções temporárias começam a parecer mais permanentes do que as próprias vagas abertas a concurso.
No final, fica a pergunta que ninguém consegue responder sem sorrir:
Se o departamento precisava realmente de dois professores, como conseguiu terminar o concurso com uma vaga ocupada, outra deserta e ainda a procurar quem dê aulas ao regime de biscate?
Os especialistas classificam o fenómeno como uma obra-prima de engenharia administrativa.
E a novela continua.
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