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A sintonizar estações...

A capacidade de interpretação de alguns.

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Nesta imagem deveria estar as caras da Junta de Freguesia do Caniçal e do Município de Machico.

A isto chama-se insustentabilidade pelo excesso de gente. A Madeira tem demasiadas pessoas a circular para a escassa área útil que dispomos, enquanto os serviços públicos continuam exatamente os mesmos. Para que serve, afinal, a taxa turística? Apenas para financiar obras e betão? E a manutenção dos serviços essenciais? Uns nem sequer recolhem o lixo e alguns idiotas ainda querem cortar exames médicos sem fazerem a mínima ideia do porquê.

N

as redes sociais vê-se de tudo: é uma verdadeira amostra da sociedade. Há aqueles seres "muito bons" que nem precisam de ler o texto para se inteirar da situação para poder comentar. Basta uma imagem e um título para estes seres superiores emitirem opinião, sem sequer se darem conta do ridículo que fazem. A sorte deles é que mais de metade da caixa de comentários é igual, e assim vivem todos felizes numa realidade alternativa.

Mas hoje surpreendi-me ainda mais com as bestas que arrematam tudo com acusações de "inveja" e "ressabiamento", gente menor que nem percebe quando uma publicação é feita a seu favor.

Tratava-se da imagem de uma roulote de venda ambulante com uma montanha de sacos do lixo acumulados logo atrás, da mesma altura do próprio veículo. Quem se queixou da falta de higiene recebeu logo respostas do nível: "Invejoso!", "Deixa o homem trabalhar!", "Vai trabalhar, cabrão!", "Não passes aí", "Tens os cornos grandes" ou "Às vezes é mais limpo nesses lugares".

Ninguém percebeu o essencial: a ilha está com um problema grave de ratos devido ao excesso de turismo massivo. É o turismo barato, de solução de supermercado, que produz lixo por toda a ilha com as embalagens e restos das comidas que levam para passar o dia. Esses ratos urinam e, se for em cima de uma lata de refrigerante ou de cerveja, o cidadão está lixado: vai parar ao hospital e, se não tiver sorte ou não for tratado a tempo, pode mesmo morrer. Numa roulote assim exposta, quem faz esta observação é que é o "invejoso"?

A acumulação de lixo daquela forma indica três coisas:

  1. Ou a câmara municipal não faz a recolha ali e nem quer saber;
  2. Ou o empresário não limpa em tempo útil;
  3. Ou o volume de vendas é tal que a capacidade de recolha da câmara, que se mantém igual há anos, mesmo depois da COVID e do boom turístico, demonstra que o turismo de Eduardo Jesus é elástico, mas a salubridade das autarquias não.

A verdade é que aquela imagem destrói o sucesso — ou pelo menos a perceção da parte da população que ainda usa os neurónios. Nada disto tem a ver com inveja do negócio alheio ou ressabiamento. Está errado, ponto final! E quem falha é protegido por bocas estúpidas de gente que simplesmente não alcança a gravidade da situação.

Por mim, que ninguém cumpra as regras e que destruam de vez este turismo massivo que não interessa a ninguém. Se calhar isto é mais uma "expressão de inveja e ressabiamento", ou será que também tenho de explicar que o PIB do energúmeno do Albuquerque serve apenas para os amigos acumularem riqueza? O madeirense é escravo, vive com ordenados miseráveis perante um custo de vida exorbitante, enquanto este Governo governa para os amigos, para os oligarcas e para os estrangeiros com dinheiro.

No meio de tantos comentários estúpidos, felizmente ainda há gente com cabeça:

Já tem alguns anos que nesse local existe um ponto de recolha de lixo (conforme podem verificar pela foto antiga). Alargaram o referido espaço para colocar os contentores de lixo que serve de ponto de recolha para os diversos estabelecimentos naquela zona... portanto, o lixo acumulado não é da roulote, mas sim dos estabelecimentos à volta. Ou seja, os contentores do lixo já ali estavam antes da roulote se instalar naquele local. Nada contra a roulote, mas provavelmente, deveria "escolher" ou negociar com a entidade responsável uma melhor localização da roulote, afastada dos contentores do lixo. Como também discordo da localização dos contentores de lixo, assim como deveria optar-se por contentores de lixo subterrâneos, para não causar esse impacte ambiental."

E está identificada a falha! A maldita mania das câmaras retirarem caixotes do lixo da via pública para fazer a recolha porta a porta é um erro crasso! Deveria haver mais caixotes por todo o concelho nos locais mais frequentados. Por exemplo: todas as paragens de autocarro deveriam ter um. Todos andam nos transportes e depositam o lixo ali no fim da viagem. Usem a cabeça, vadios da câmara!

Mas há mais:

Os donos da roulotte não tem culpa dos donos desses ditos bares não terem como acondicionar os lixos que produzem. Quase todos os bares dessa marginal deveriam ser multados e obrigados a possuírem contentores próprios nos seus espaços. Alguns desses bares fazem desses contentores de depósitos "privados" no final do turno, perto do fecho os funcionários têm colocar toda a "porcaria" produzida por eles nesses contentores porque no seu bar irá cheira mal... E reciclagem deduzo que seja uma palavra desconhecida para esses comerciantes. Muita reclamação feita na junta de freguesia mas sem soluções à vista...

O impressionante disto tudo é que é precisamente esta mentalidade conformista e analfabeta que faz com que estes sabichões fiquem cada vez mais pobres e nada exigentes com a governação. Com esta gente é fácil manobrar e perpetuar o poder, bastando falar a mesma linguagem enganosa. É assim que a Madeira se vai afundando nas mãos de uma maioria que não alcança o que realmente importa!

O caso é no Caniçal e mais não digo. Não quero lixar a vida a ninguém, não sou invejoso nem ressabiado.

Acordem, idiotas!

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