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A narrativa oficial de Miguel Albuquerque para o setor agrícola insular insiste na fórmula mágica da "tecnologia" e da "valorização da produção" como a panaceia para todos os males. Trata-se do expediente habitual de quem procura vestir a camisola de um governante moderno e visionário. Contudo, por trás do jargão de marketing político, o discurso esbarra frontalmente contra a geografia, a economia real e as opções de governação do seu próprio executivo.
A aplicação cega do conceito de "agricultura de precisão" e de tecnologia de ponta esquece a escala e a realidade física da Madeira. Falar de inovação tecnológica de grande escala num território dominado por socalcos ("poios"), declives acentuados e acesso difícil aos terrenos é desconhecer, ou querer ignorar, a prática diária do agricultor madeirense.
A esmagadora maioria das explorações agrícolas na Região é de dimensão reduzida. Importar conceitos de modernização agrícola pensados para vastas planícies e grandes herdades sem os adaptar à escala local serve apenas para preencher discursos, não para encher os bolsos de quem trabalha a terra.
Tecnologia é produzir mais no mesmo espaço e não drones.
A maior contradição do modelo de desenvolvimento de Miguel Albuquerque reside na pressão constante sobre o solo agrícola e florestal. Até o seu irmão já avisou em entrevista pela TV. Enquanto se apela à "valorização da produção", os solos de aptidão agrícola continuam a ser progressivamente desclassificados e devorados pelo betão e pela expansão imobiliária, impulsionada por interesses de grupos económicos e empreiteiros alinhados com o poder regional. Estamos na vaga de PDM's, Golfe, 20 pisos, tudo se inclina na mesma intenção.
A tecnologia não substitui as pessoas. Sem incentivos reais ao escoamento, sem preços justos à produção e com o custo de vida a sufocar o interior das ilhas, a juventude abandona a terra. Promover "tecnologia" sem garantir a sustentabilidade económica dos produtores é um mero exercício de retórica. Que o diga o senhor da banana:
- https://madeira.rtp.pt/politica/abama-acusa-governo-regional-de-enganar-os-produtores-video/
A propaganda de um Governo "moderno e tecnológico" dissolve-se na realidade de um território retalhado, onde a terra arável é sacrificada em nome do betão e o pequeno agricultor continua a arcar com os custos de uma insularidade que o executivo teima em mascarar com palavras bonitas.
Tudo isto é um ritual anual nas mais diversas feiras e mostras de agricultura, festas disto e daquilo, algumas importadas...
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