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Montenegro é o pesadelo da simplificação administrativa.

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Sempre que o Governo Central decide dar um "salto de modernização digital", o resultado final traduz-se em bloqueios burocráticos, falhas técnicas e dores de cabeça para cidadãos e estudantes. Os exemplos multiplicam-se em duas áreas essenciais: a agilização para a reconstrução do centro após o Kristin, a educação e a mobilidade insular.

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 transição para a nova plataforma digital do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) e do Mecanismo de Continuidade Territorial tem sido uma autêntica corrida de obstáculos para os residentes nas ilhas. Agora temos a incapacidade de emparelhar bilhetes "one way", a plataforma ainda não consegue associar dois bilhetes simples (ida e volta comprados em separado). O resultado? Os passageiros são forçados a assumir o custo fixo de 79 euros em duas candidaturas distintas (totalizando 158€), em vez de ser aplicado o limite legal de 79€ para a totalidade da viagem.

Enquanto sucede isto, a funcionalidade de registo das agências de viagens continua pendente, impedindo que os agentes do setor façam o abatimento direto no momento da compra, obrigando os cidadãos a adiantar montantes avultados. Acabam por ficar na mesma, evolução na continuidade.

O sistema exige obrigatoriamente uma conta bancária para processar os reembolsos, deixando de fora e sem alternativa pessoas de idade avançada e cidadãos vulneráveis. Mas se fosse só isto, o Estado não sabe que a malta anda a fugir das comissões dos glutões com outros serviços online? O desgoverno na plataforma tem sido tal que levou o Governo Regional da Madeira a exigir à República a manutenção do atendimento presencial nos CTT, sob pena de estrangular o apoio aos jovens estudantes que viajam para o Continente.

Esta matéria tem histórico já, mas não nos podemos esquecer do desastre na digitalização dos exames nacionais. A introdução do novo sistema de correção e classificação digital dos exames nacionais do secundário provocou constrangimentos graves em disciplinas-chave como Português e Matemática, levando ao adiamento sistemático dos prazos de publicação das notas e perturbando o calendário de acesso ao Ensino Superior.

Em vez de assumir as falhas de planeamento e parametrização técnica da plataforma, a tutela governamental optou por atirar as culpas para uma alegada "resistência dos professores", colhendo fortes críticas das associações de diretores escolares, que classificaram as atitudes como um "murro no estômago" de quem esteve na linha da frente a tentar ultrapassar os erros do sistema.

Transformar simplificação administrativa em pesadelos de software tornou-se uma constante. Quando a tecnologia serve para criar barreiras em vez de pontes, a alegada "eficiência digital" passa a ser apenas mais uma demonstração de incompetência de gestão.

Quando vamos ver a cara dos responsáveis? Já repararam que ninguém lhes toca?

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