Francisco Gomes e Carmo Gomes: as Jornadas Autárquicas do CHEGA Madeira foram afinal o lançamento dos dois para a lista de deputados nacionais?
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Quem esperava um debate aprofundado sobre habitação, mobilidade, saneamento, proteção civil, ambiente, descentralização, finanças locais ou sobre a realidade dos municípios atualmente governados pelo PSD encontrou, sobretudo, um palco onde o protagonismo foi assumido por Francisco Gomes e Carmo Gomes.
A perceção que ficou foi a de que estas jornadas serviram, acima de tudo, para projetar ambos como principais rostos do CHEGA Madeira e preparar o caminho para integrarem a futura lista de deputados nacionais do partido, caso venham a realizar-se eleições legislativas antecipadas.
Os sucessivos casos políticos que têm abalado o Governo da República, nomeadamente as polémicas envolvendo os ministros da Administração Interna e da Educação, alimentam a convicção de que a atual legislatura poderá não chegar ao fim. Neste contexto, é natural que os partidos procurem posicionar desde já aqueles que poderão encabeçar as suas listas.
Contudo, importa distinguir prioridades. Um encontro anunciado como Jornadas Autárquicas deveria centrar-se, antes de mais, na discussão dos problemas concretos dos municípios madeirenses e na apresentação de soluções para melhorar a vida das populações.
As onze autarquias da Madeira enfrentam desafios próprios que exigem propostas consistentes e uma análise séria da gestão dos municípios atualmente liderados pelo PSD. Era essa discussão que muitos esperavam ouvir, bem como alternativas políticas para cada concelho. Em vez disso, a atenção acabou por concentrar-se na afirmação de duas figuras com evidente projeção para um eventual cenário eleitoral nacional.
Naturalmente, cada partido é livre de definir a sua estratégia política. Porém, é igualmente legítimo que os cidadãos questionem se estas jornadas cumpriram verdadeiramente o objetivo anunciado ou se funcionaram, na prática, como uma plataforma de lançamento para futuras candidaturas à Assembleia da República.
A política vive de perceções, mas também de coerência entre aquilo que se anuncia e aquilo que efetivamente se faz. E a perceção deixada por este encontro é clara: falou-se menos das onze autarquias madeirenses e mais da afirmação de Francisco Gomes e Carmo Gomes como potenciais candidatos à futura lista de deputados nacionais do CHEGA.
Os madeirenses merecem que o poder local seja tratado como uma prioridade em si mesmo e não como um simples palco para estratégias políticas de âmbito nacional.
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