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Manter a identidade! É errado e insustentável o turismo massivo e a fixação do custo de vida pelos mais ricos. O madeirense não conta? Atentam contra o madeirense e são eles que se têm de retratar? A questão protege os provocadores da pobreza dos madeirenses, o jornalista assessora o sistema.
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Agora a questão!
Esta abordagem serve de base perfeita para expor a mecânica clássica de manipulação, narrativa que protege os interesses instalados na Madeira. A publicação utiliza uma técnica retórica conhecida como falsa dicotomia. Ao atirar a pergunta "o que propõem...?" a quem critica a construção em altura, o jornalista inverte o ónus da prova e tenta enquadrar os críticos como meros "bloqueadores" sem alternativas. São eles que se têm de justificar, em vez de ouvirmos as barbaridades que não fundamentam prédios de 20 pisos no Funchal e na Madeira que é paisagem. Não queremos tapetes de faquir na Madeira.
O uso de expressões suavizadoras como "com regras", "zonas estudadas" e "sem arranha-céus" serve para anestesiar a opinião pública. A mensagem subliminar é clara, a construção em altura vai acontecer, é inevitável, e quem está contra apenas não quer o progresso da cidade. E legitimando, farão pior, como o Albuquerque que, fugido de 8 acusações, parece que a oportunidade de novo mandato é para sacar tudo enquanto dá...
A estratégia assenta em três atos perfeitamente delineados, onde o jornalismo de regime atua como a última engrenagem:
- Fase 1: criar a crise
↓
- Fase 2: vender a "solução"
↓
- Fase 3: A validação mediática
Tudo é premeditado, planeado para sacar...
Na criação da crise, o poder político (PSD-M) e os fundos imobiliários promovem ativamente o turismo massivo e a atração de novos residentes estrangeiros com elevado poder de compra. Isto asfixia o mercado, inflaciona os preços e empurra os locais para fora do Funchal.
A "inevitabilidade", uma vez criada a crise da habitação, o sistema não propõe habitação pública cooperativa ou tetos à especulação. Propõe, sim, dar mais cimento e altura aos construtores e promotores do costume.
Em vez de investigar quem ganha com estas licenças, quais os lóbis envolvidos e o impacto ambiental e infraestrutural na cidade, o jornalista colaboracionista surge a validar o resultado final. O debate público deixa de ser sobre se o modelo de desenvolvimento está correto, passando a ser apenas sobre como a população deve aceitar a alteração da linha de horizonte da cidade. A ideia aberrante não se discute, os outros é que têm que ter argumentos.
A conivência da comunicação social com este modelo económico extrativo traz consequências devastadoras que importa denunciar com toda a crueza, uma delas é o extermínio social do madeirense. Estes jornalistas sentem-se de uma elite bem paga como todos estes problemas para trás das costas. Costuma-se chamar a isto egoísmo. A situação do escravo preto que ao ter uma posição melhor trata os seus iguais ainda pior do que os esclavagistas.
O Funchal, dito pelos nossos emigrantes que regressam de férias e veem a evolução aos saltos, está descaracterizado e em gentrificação absoluta. É uma cidade de lóbis das altas figuras empresariais e políticas, toda a área tende a ter um lóbi, a par da gentrificação absoluta, a cidade em função do turista/estrangeiro, das máfias da imigração, dos modelos de turismo massivo com muito Made in China que muda a etiqueta para um souvenir da zona. O Funchal arrisca-se a perder a sua identidade urbana e paisagística para satisfazer o retorno financeiro rápido de investidores.
Sob o pretexto de "resolver o urbanismo", o que se está a validar é a substituição populacional. O madeirense comum perde a capacidade financeira de viver na própria capital, sendo empurrado para as periferias ou para a emigração. É a expulsão dos nativos, parte da elite detesta vê-los entrar nos seus negócios. Estrangeiro é cifrões e exploração, nativo, com o pouco dinheiro que ganha, é muito mais minucioso a gerir.
Quando profissionais da televisão pública (paga pelos contribuintes) se limitam a fazer perguntas de contornos propagandísticos que servem a narrativa dos grandes construtores, a democracia regional perde o seu contrapeso. A reputação jornalística é sacrificada no altar dos interesses económicos da elite.
Na pratica já é assessor do sistema quando se exibe com estas certezas. Percebe-se que importa-se mais com a imagem no sistema do que perante os madeirenses. O core do negócio do jornalista mudou.
O jornalista premiado, por alguma razão, porque nunca vi dos duros premiados, antes ostracizados ou que partem desta terra, é a cara da falência da função fiscalizadora do jornalismo. Prefere fiscalizar a opinião da população. Espero que tenha uma penthouse no roof e não um prédio a crescer à frente a lhe tapar a vista, porque a visão já anda turva no jornalismo.
Este joguinhos mentais tendem cada vez mais a marcar pessoas, mas estão tão seguros com o sistema que julgam que vale a pena consumir a idoneidade.
E para findar a questão que correu muito mal, porque há cada vez mais madeirenses irritados, a questão resolve-se assim. Que os jornalistas comecem a tirar ilações, porque vão juntos com o poder.
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