![]() |
| Recorte do DN-M |
A
A impressão que ficou foi clara. Em vez de um debate profundo sobre os problemas dos onze concelhos da Madeira e do Porto Santo, assistiu-se à promoção de figuras políticas, à construção de imagem e ao posicionamento interno. Mais do que preparar candidatos às câmaras e assembleias municipais, o evento pareceu uma montra para futuras listas à Assembleia da República.
Não é segredo que o contexto político nacional atravessa um período de grande instabilidade. As sucessivas polémicas envolvendo membros do Governo da República, nomeadamente nas áreas da Educação e da Administração Interna, alimentam a discussão sobre a viabilidade do Executivo e fazem crescer o espectro de um novo ciclo eleitoral. Nenhum partido ignora essa realidade e todos procuram posicionar-se.
É precisamente por isso que estas jornadas levantam tantas interrogações. O discurso, os protagonistas e a mensagem transmitida pareciam estar muito mais direcionados para Lisboa do que para a Região. O verdadeiro destinatário não eram os municípios madeirenses, mas sim o xadrez político nacional.
Entretanto, os problemas reais da Madeira continuam à espera de respostas. A habitação tornou-se inacessível para a maioria dos madeirenses, o custo de vida não para de aumentar, os jovens continuam a emigrar por falta de oportunidades e os municípios carecem de mais meios e autonomia para responder às populações. Estes, sim, deveriam ser os temas centrais de umas verdadeiras jornadas autárquicas.
O poder local não pode servir de cenário para estratégias de ambição nacional. As autarquias merecem protagonismo próprio, porque são elas que resolvem, no dia a dia, os problemas que afetam diretamente a vida das pessoas.
Naturalmente, todos os partidos têm o direito de preparar os diferentes atos eleitorais e de organizar as suas estruturas. O que não devem fazer é vender como reflexão autárquica aquilo que, na prática, se assemelha a um ensaio geral para uma campanha legislativa.
Os madeirenses sabem distinguir uma iniciativa dedicada ao poder local de um mero exercício de projeção política. E esperam mais. Esperam ideias, projetos, compromisso e soluções reais para a Madeira.
Se estas jornadas tinham como missão reforçar o projeto autárquico do CHEGA na Região, ficaram aquém do objetivo. Se, pelo contrário, pretendiam enviar um sinal para Lisboa e dar visibilidade a quem poderá integrar futuras listas de deputados, então essa foi a leitura óbvia que muitos retiraram.
A política só ganha credibilidade quando existe coerência entre o nome dos eventos e os seus verdadeiros propósitos.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.