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Com esta, o fundo soberano é treta!

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  • https://tribunaalentejo.pt/artigos/portugal-prepara-se-para-alienar-controlo-da-refinaria-de-sines-trabalhadores-contestam-venda-aos-espanhois/

O paradoxo de Sines:
Criar fundos soberanos enquanto se entrega o controlo ao estrangeiro?

A

ssiste-se, com uma mistura de perplexidade e ironia política, ao mais recente capítulo da geopolítica económica nacional, o plano para alienar o controlo da refinaria de Sines, a única infraestrutura de refinação de combustíveis em Portugal, aos espanhóis da Moeve (antiga Cepsa), através de uma fusão de ativos da Galp que deixa o país dependente de decisões tomadas fora de portas. 

O negócio, fortemente contestado pelos trabalhadores, volta a colocar o dedo na ferida da soberania nacional. É que este desfecho surge precisamente na mesma era política em que Luís Montenegro acena com a intenção de criar um Fundo Soberano de Investimento para, supostamente, garantir que o Estado mantém "mão" e influência em áreas e empresas estratégicas do país. Os trabalhadores são mais patriotas do que Montenegro.

A memória dos portugueses não é assim tão curta. Depois do país ter vendido "as joias da coroa" durante o período da Troika, entregando a eletricidade da EDP, as redes da REN e os CTT ao capital estrangeiro, a promessa de um fundo soberano parecia ensaiar uma tímida mudança de rumo para um patriotismo económico. Porém, permitir que o controlo operacional e industrial da única refinaria portuguesa, que abastece 80% do combustível de aviação do país e garante a nossa segurança energética básica, passe para uma administração onde mandam os espanhóis (e indiretamente os fundos de Abu Dhabi, principais acionistas da Moeve) deita por terra qualquer ilusão de autonomia.

Porque é que os políticos, os governantes são tão mentirosos? Cínicos. Montenegro está a vender quando diz que vai fazer uma política ao contrário? E já repararam que é um jornal de província, através dos funcionários que dão a conhecer?

Mais do que uma simples operação de mercado entre a Galp e a Moeve, Sines é um ativo estratégico de segurança nacional. O Governo, se quisesse ser coerente com a retórica de defesa do interesse público, teria o poder e o dever de escrutinar ou travar o negócio caso o considerasse um risco real para o abastecimento do país. Assistir a este processo de braços cruzados, enquanto os trabalhadores clamam pela defesa da produção nacional e dos seus direitos, prova que há duas realidades paralelas, a do PowerPoint político, onde se teoriza sobre fundos soberanos para proteger o futuro, e a da prática económica diária, onde se continua a ceder o leme das indústrias críticas ao melhor licitador internacional.

É assim que temos asco destes políticos.

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