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Como Albuquerque provoca xenofobia.

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á quase um slogan que vamos ouvindo cada vez mais: "Albuquerque não governa para os madeirenses". Para quem pensa na frase, é difícil desmontá-la. Eu já fiz a minha análise e é por isso que vos escrevo. Agradeço que outros que leiam o texto e tenham opiniões diferentes as partilhem nos comentários. Dispenso, contudo, os "sabichões" que não leem os fundamentos e depois se põem para aqui a dizer bacoradas.

Durante muitos anos, cinco décadas, e ainda hoje, os líderes do PSD-M esconderam-se em tiradas de orgulho madeirense. Quando quiseram vencer alguém, inventaram inimigos em todos os debates, opções e divergências, reduzindo os argumentos a emoções para bloquear as mentes contra "essa gente". Assim, essa oposição deixa de ser ouvida, numa surdez e cegueira manipulada das massas que deixam de pensar. Esta é a forma de agir dos ditadores nesta democracia camuflada; tudo uma meia-medida que serve para estes sonsos manipuladores fugirem para uma narrativa que maquilhe a realidade.

Quanto mais tempo a maioria dos madeirenses viver neste mantra, pior ficará e da pobreza não sairá. O PSD-M, por diversas vezes, ganhou a certeza de que pode prevaricar como quiser, porque consegue sempre manipular o madeirense. Isto acontece porque as pessoas não param para pensar e porque existe uma grande peça de teatro montada. Nela contracenam o PSD-M, o seu coro, a comunicação social, uma oposição "vendida" que lucra com o sistema, algumas autoridades, instituições subsidiadas, empregos públicos criados por cunha política e gente falsa que esconde o facto de beneficiar do regime enquanto trai toda a gente. Muitos até nos puxam pela língua, parecendo que partilham da mesma opinião, mas não passam de toupeiras: vão buscar os argumentos para serem bufos do regime e, assim, criarem novas diversões e entretenimentos para manter a anestesia da generalidade da população. Fomentar a desunião e o "dividir para reinar" existe, e isso já é uma forma de xenofobia entre os privilegiados da política contra aqueles que não são "dos nossos". A governação sectária é uma forma de xenofobia: elegemos um governo para todos os madeirenses e este acaba por governar apenas para simpatizantes, militantes, elites e empresários do regime.

Mas isto não fica por aqui. A ostracização de 50 anos de quem tem uma opinião diferente confronta-se com aqueles que vivem do regime. Aqui, para além da xenofobia, acumula-se a polarização.

Nestes tempos de Albuquerque na Presidência, é já indesmentível que ele não governa para todos os madeirenses; a frase do início do meu texto é, no mínimo, parcialmente correta. Mas isto vai piorar. Albuquerque sente que, face à prova das últimas Regionais, numa clara situação de fraqueza e recorrendo a esta estratégia de inventar inimigos com tiradas para fugir com o rabo à seringa, consegue domar todos com a sua imunidade. Nada o atinge e as eleições legitimam-no.

Esta confiança faz com que Albuquerque seja cada vez mais ousado, ostensivo, rasca e atrevido, manifestando pensamentos que, num lugar fora desta realidade, fariam com que fosse demitido na hora. Na Madeira, é verdade, nenhum incompetente, criminoso ou autor de falhas e ilícitos se demite, é demitido ou perde o mandato. Habituaram-se a ganhar tempo, a manipular as instituições e a cabeça dos madeirenses para resolver o problema. O único culpado acaba por ser o próprio madeirense: uns vendem-se e os outros não são suficientes para mudar o rumo das coisas, até porque os jovens lesados estão todos a emigrar. Vemos isto claramente neste Inverno Democrático.

E agora vem a xenofobia final: Albuquerque não está entrosado com a realidade da maioria. Está focado nas suas narrativas, no PIB, em viagens, rooftops e propaganda, não se dando conta de que esta economia não dá bons vencimentos aos madeirenses, que o custo de vida está exorbitante, as casas inacessíveis, os serviços públicos miseráveis, o trânsito incomportável, o turismo a abalroar o quotidiano (fazendo desaparecer a qualidade de vida), o território a ser vendido e os monopólios cada vez mais ostensivos.

Quando Albuquerque falha com os madeirenses e se arma em herói para os de fora, sem distinguir a dimensão dos problemas e compará-los com as reais capacidades da Madeira, num show-off idiota de hipocrisia política para cair em graça perante outras paragens, como se viu no caso do sismo da Venezuela, atinge o limite do aceitável. Parece que tudo pode fazer lá fora, quando não o fez pelos madeirenses. Quando ousa dizer que se gasta demais em exames médicos, sendo ele próprio um despesista com golfe, jantares de meio milhão e projetos para obras loucas, atinge o auge da hipocrisia. É uma xenofobia porque nos perguntamos como é que Albuquerque, sendo tão poderoso, tem negligenciado os madeirenses, gerando um quadro de falta para os locais e de ostentação para os de fora. Estamos a sair de um PRR que em nada beneficiou o cidadão comum madeirense, mas Albuquerque deve ter inventado outro para resolver os problemas e os infortúnios dos lusodescendentes na Venezuela.

Espero ter-me feito entender sobre como a sobrevivência de um morto político com imunidade serve apenas para fazer jogos em nome da sua salvação, enterrando e mentindo a todos os que estão à sua volta. A injustiça cria muitos sentimentos; a xenofobia é um deles.

À diferença está na atenção que não presta à sua população, que o elege, em relação a quem presta atenção para a sua sobrevivência política e negócios. Se os madeirenses não se dão ao respeito vai prosseguir, iludindo em vésperas de eleições.

Temo que os extremistas e populistas vão crescer se acaso saíram da algibeira de Albuquerque ou de Jaime Filipe Ramos.

Com tanto despesismo, Albuquerque acha que o madeirense está a gastar demais em exames médicos, com tantos estrangeiros e imigrantes por cá, agora nós somos o inimigo externo? As casas social serão engodo político para mais votos par as hostes? Que todos tenham presente que usam e abusam de toda a gente. É preciso acabar com isto, amanhã é você que não gosta deste texto a estar no andar de baixo do elevador. Isto é só para a sobrevivência meia dúzia. Dividir para reinar.

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