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GALP de Sines, um Montenegro de cabeça a arder.

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 PSD é o partido dos esquemas empresariais, das privatizações, da transferência de serviços do Estado para o privado, na Madeira e no continente. Num altura é que Montenegro tem as orelhas a arder com 3 ministros que merecem ser demitidos, chegou a vez dele próprio tornar a cabeça incandescente

Em Lisboa, o discurso é sempre bonito, enfeitado com palavras caras e promessas de futuro. Luís Montenegro enche o peito para anunciar a criação de um Fundo Soberano no Congresso do PSD, supostamente destinado a proteger as empresas estratégicas do país. Mas, ao mesmo tempo que vende este peixe de segurança e visão a longo prazo, assistimos à mais descarada hipocrisia misturada de cinismo, o Governo dá luz verde (ou assobia para o lado) para que a Galp seja entregue de mão beijada ao capital estrangeiro.

Em que planeta é que isto faz sentido? Sobretudo agora, mas sempre para um país verdadeiramente soberano?!

Estamos a falar da refinaria de Sines, a única refinaria em solo nacional. Num cenário geopolítico global em ebulição, onde a crise energética devia ter ensinado aos governantes a importância vital da soberania e da autossuficiência, Portugal entrega a chave da sua única infraestrutura de refinamento a interesses estrangeiros. Se a refinaria for de fundos ou grupos internacionais, eles farão dela exatamente o que bem entenderem. Se amanhã decidirem fechar, cortar a produção ou inflacionar ainda mais as margens de lucro, o país fica de mãos atadas.

Nós, madeirenses, sabemos perfeitamente o peso esmagador dos custos de insularidade e de dependência do exterior. Vivemos na pele o que é estar à mercê de monopólios e de decisões tomadas longe de nós. A refinaria de Sines não produz apenas o gasóleo que faz andar os camiões de mercadorias que abastecem o país, produz o Jet A1, o combustível que mantém a aviação civil a funcionar e que alimenta a galinha dos ovos de ouro do país e da Região, o Turismo.

Privatizar e alienar o controlo do refino de combustíveis é preparar a cama para o desastre. Só faltava mesmo criarmos uma "Vinci dos combustíveis" para somar ao monopólio dos transportes que já nos estrangula a vida diária na Madeira. Se a dependência já encarece tudo, imagine-se o cenário surreal de termos de passar a importar produto refinado do estrangeiro, adicionando os custos do frete e da margem de intermediários ao bolso dos portugueses.

É de uma irresponsabilidade atroz. Enquanto se enche a boca com "soberania" e "proteção da economia", na prática entrega-se a segurança energética nacional no balcão de negócios internacionais. Uma hipocrisia que envergonha o país e que nos deixa a todos, especialmente a quem vive nas ilhas e depende a 100% da logística e dos transportes à mercê do capricho de quem só olha ao lucro. Já os temos por cá, já chega disto!

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