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O Chega truculento, agora é que vai ser.

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 verdade, doa a quem doer, a postura do Chega continua a dar corda aos críticos, que veem no partido uma força talhada para a barafunda e para o barulho, mas completamente impreparada para os meandros do poder. Que confiança transmite? É um partido que vive da trica e do folclore político, mais preocupado em capitalizar a fúria dos revoltados do que em apresentar soluções com pés e cabeças para o país ou para a Região.

Para quem olha de fora, a estrutura interna do partido parece um autêntico "saco de gatos". Entre demissões em bloco, eleitos que batem com a porta e processos disciplinares à mistura, como o mais recente bate-boca em torno de Magna Costa na Madeira, o Chega vai colecionando episódios dignos de uma novela de mau gosto. Os detratores não perdem tempo a apontar o óbvio, como é que um partido que nem consegue governar a própria casa, perdida em guerrilhas e purgas internas, quer governar os destinos de uma população?

A retórica do "basta" e do "contra tudo e contra todos" funciona muito bem para caçar o voto do estômago e da fúria momentânea. Mas a política a sério exige mais do que gritaria e populismo barato. Sem um rumo estruturado para a saúde, economia ou habitação, o partido arrisca-se a ser apenas um balão de oxigénio para os indignados que, mais tarde ou mais cedo, vão acabar por se arrepender do mau impulso nas urnas.

O que se passou nas Presidenciais mostrou que o eleitorado tem um limite na revolta.

Quando a corda aperta e o panorama socioeconómico treme, o eleitorado costuma deixar-se de modas e de radicalismos. É aí que o castelo de cartas do Chega começa a abanar nas sondagens, com a população a refugiar-se nos partidos do costume, como o PS, à procura da estabilidade e do pragmatismo que o Chega simplesmente não consegue oferecer. Em tempos de crise, a malta prefere a segurança conhecida ao tiro no escuro de um partido imprevisível.

O Chega bem tenta sacudir a água do capote. Organiza jornadas autárquicas, veste o fato de "alternativa séria e competente" e promete limpar os vícios do sistema. No entanto, enquanto o espetáculo mediático e as guerras de egos falarem mais alto do que o trabalho estruturado, o partido continuará a ser visto como um mero megafone da revolta, incapaz de dar o salto do banco da oposição para a cadeira do poder.

Imaginem uma Região ou país sujeitos ao clima interno do Chega e da quantidade de desidentes e visados pela Justiça

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