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O desaparecimento das notícias e dos Jornalistas

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Numa conversa recente com os moderadores do Madeira Opina, soube que os sites antigos — que funcionam como autênticas hemerotecas — estão a ser reestruturados para voltar ao ativo. O motivo é alarmante, o apagão deliberado de notícias nos sites da comunicação social regional que suportavam os artigos de opinião deixou para trás um rasto de 1744 links quebrados. Estas notícias desaparecem cirurgicamente para prejudicar o posicionamento do blogue nos motores de pesquisa (razão pela qual agora se opta por colocar o URL sem hyperlink) e, acima de tudo, para tentar transformar quem diz a verdade em mentiroso. Mas nesta ilha, a par das notícias que evaporam, os jornalistas com "J" maiúsculo também vão desaparecendo.

S

e visitarem os sites ou as edições impressas dos jornais regionais e da RTP-M, repararão que as verdadeiras notícias escasseiam. Aquilo a que assistimos parece, cada vez mais, uma revista de contentamento de egos e um desfile de anúncios de festa e circo. Ninguém arrisca a polémica, ninguém incomoda o Governo, ninguém faz jornalismo de investigação — zero. É um jornalismo de cócoras, onde os melhores são convidados a afastar-se... tacitamente.

Na televisão o fenómeno é mais evidente, já que na rádio e nos jornais muitos se abrigam no anonimato. Na RTP3, por exemplo, temos a Carolina Freitas como pivô, onde já provou a sua qualidade. Como teria sido se tivesse ficado por cá? E onde anda a jornalista que confrontou o Avelino Farinha, perguntando quem pagava a festa do pau de fieira no túnel, recebendo uma resposta que escancarou tudo aos madeirenses? (vídeo).

Temos outro momento sintomático. O que se passou no JM foi, afinal, uma despedida que esconde motivos por decifrar. O que será, verdadeiramente, a estabilidade profissional? Desistir do meio com vigilantes do regime? O respeito pelo jornalismo?

Quer se queira, quer não, todos temos os nossos jornalistas preferidos, precisamente porque produzem o conteúdo que nos interessa. Para o regime, um bom jornalista é aquele que é dócil — e, por isso mesmo, até recebe prémios das mãos do próprio poder. Na Madeira, o jornalismo de excelência não é premiado. Havia outros que se faziam notar pelas suas peças, porque feriam os pecados do regime, sobretudo na imprensa escrita. Lamentavelmente, fomos obrigados a retirá-los da lista dos fidedignos; converteram-se, por falta de alternativa, às "pedras" do Poder.

Porque é que os jornalistas sabujos, os maus exemplos, nunca desaparecem? Será porque o topo da carreira na região passou a ser o cargo de assessor de imprensa do Governo? Porque é que as redações e as chefias raramente mudam? Olhe-se para a RTP-Madeira: quantos presidentes da RTP a nível nacional já passaram por lá, enquanto o diretor regional se mantém inamovível?

Deixa saudades a coragem de Tolentino Nóbrega a escrever para os jornais do continente. Hoje em dia, bater com a porta e mudar de ares tornou-se a crítica mais feroz que se pode fazer. Contudo, isso só está ao alcance de quem pode e tem mercado; outros, sem conseguirem destacar-se ou mudar de vida, acabam por morrer psicologicamente nas mãos do poder.

E temos mais um caso recente... que nos obriga a não esquecer o peso e o significado de se ser Presidente do Sindicato dos Jornalistas na Madeira:

  • https://www.facebook.com/100000477131103/posts/37977032028562560/

"Há decisões que não acontecem devagar. São pensadas e ocorrem no tempo que têm de acontecer. É isto: Chegou a hora de voar. Durante 17 anos, a RTP Madeira foi casa, refúgio e oportunidade. Celebrei os sucessos, fui abaixo com os fracassos e tive de engolir muitas lágrimas.
Enquanto procurava contar a vida dos outros, havia uma história que também estava a ser escrita: a minha. É estranho como a felicidade pode, um dia, obrigar-nos a partir.

Nestes últimos tempos percebi que não conseguia mudar o mundo. E por isso, a única forma de eu continuar a ser fiel aos meus sonhos foi a de mudar de lugar.

Há quem diga que o tempo apaga tudo, eu acredito no contrário: Há lugares que nunca mais saem de nós.

Hoje parto para um novo desafio. Parto com medo, porque só os desafios que importam fazem-nos tremer. À Madeira não digo adeus. É um até já! Até porque há lugares de onde nunca partimos verdadeiramente, porque ficam para sempre a morar dentro de nós. Se um dia alguém perguntar onde é que aprendi a voar, a resposta será sempre a mesma: foi esta ilha que me ensinou a voar.

Até já"

O que nos dizem estas entrelinhas? É mais uma "emigração" forçada? Pelos outros ou por si nesta sociedade doente?

Se o mérito é sempre obrigado a partir, como é que nos tentam vender a narrativa de que somos um "Povo Superior"?

Uma classe respeitada não se constrói com sabujos acomodados e dependentes. Ao ver esta fuga de talentos e este silêncio cúmplice, o poder sente que a passividade é total e que pode ir sempre um passo mais além. Qualquer dia não ficará fácil nem para sabujos, já falam ...

Na Madeira, o regime criou um monopólio de subsistência, os jornais dependem do anúncio público e do subsídio governamental para sobreviver, o que transforma os ordenados dos jornalistas em "reféns" do silêncio editorial. Quem quer comer, tem de calar.

As redações locais transformaram-se em salas de espera para a assessoria governamental, onde o escrutínio foi substituído pelo currículo para agradar ao patrão na Quinta Vigia. A propósito, quantos Presidentes da RTP já passaram a nível nacional e nunca mudou o regional? Também há os de pedra e cal, na comunicação social o que significa perdurar? O mesmo que no Governo? Vícios?!

Nota: no tempo das zangas de Jardim e Virgílio Pereira dizia que não saía porque assim ocupava o lugar... quem vai entrar de gatas?

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