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| E vamos deitar PRR "fora"! |
A hipocrisia das nossas prioridades
D
epois de no domingo termos visto a testa de ferro da privatização dos lares a comentar uma foto, a tal das ameaças quando o Lar da Bela Vista dava barraca da grossa, temos hoje uma dose dupla sobre o HNM, com JM e DN cada um à sua maneira de fazer jornalismo.
Se fosse para converter em lar por 107 milhões para dar a privados seria caro?
Pensando na senhora da privatização dos lares e no governo, apetece-me dizer que a civilização de um povo mede-se pela forma como trata os seus idosos. A julgar pelas notícias recentes que cruzam as páginas do Diário de Notícias e do Jornal Madeira, a nossa "civilização" política parece estar mais preocupada com o swing do taco de golfe do que com o conforto de quem nos deu tudo.
É de uma hipocrisia gritante. No mesmo dia em que lemos sobre o custo proibitivo dos lares na Região, um verdadeiro drama social que asfixia famílias e deixa os nossos idosos numa lista de espera indigna ou no hospital em altas problemáticas porque os rendimentos não chegam, surge o anúncio de investimentos que desafiam o bom senso. O Governo Regional, que tantas vezes alega falta de verbas para reforçar o apoio social, parece não ter problemas em "inventar" obras de luxo.
Estamos a falar de 107 milhões de euros, se destinados a campos de golfe seria caro?
Como é possível explicar a um madeirense, que trabalhou uma vida inteira e agora não tem vaga ou posses para um lar digno, que o seu bem-estar é "caro demais"? Os idosos, que tantas vezes garantiram vitórias eleitorais com a sua lealdade, são agora relegados para segundo plano.
Numa sociedade equilibrada, o golfe viria depois de todos os problemas sociais básicos estarem resolvidos. Na Madeira, o luxo parece ser a prioridade, enquanto o social é tratado como um fardo orçamental.
107 milhões de euros aplicados na rede de cuidados continuados e lares mudariam a face da terceira idade na nossa ilha. Se aplicados no golfe, servem apenas para alimentar o ego de quem governa e os bolsos de quem constrói.
Não é apenas uma questão de gestão, é uma questão de humanidade. É tempo de exigir que os impostos dos madeirenses sirvam quem cá vive e quem cá envelhece, e não apenas para manter as aparências de um destino turístico que esquece os seus próprios rostos.
O Albuquerque afinal não trabalha para as obras mas sim para o Chega. A "palheira" onde onde anda?
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