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erá que votar no Chega mostrou que a Madeira está saturada? "Jogar fácil" é difícil porque não estão ligados ao povo, por isso um autarca resolveria melhor o subsídio social de mobilidade. Parecem notícias reativas para sossegar as almas, o que hoje aparece no DN-M.
A promessa da digitalização do Estado era simples, tornar os serviços mais rápidos, acessíveis e justos. Na prática, o que vemos no subsídio social de mobilidade é o oposto! Um apoio criado para compensar desigualdades acaba por excluí-las ainda mais, quando o reembolso fica dependente de uma Chave Móvel Digital que muitos cidadãos não têm, não dominam ou simplesmente não conseguem ativar.
O resultado é um sistema bloqueado para quem mais precisa dele. Idosos, pessoas com menor literacia digital ou sem acesso fácil a balcões de apoio ficam presos num labirinto burocrático, onde o direito existe no papel, mas não chega à conta bancária. A ajuda de funcionários públicos, embora meritória, não resolve o problema estrutural, o Estado transferiu para o cidadão o peso da sua própria modernização, sem garantir alternativas reais.
Perante este falhanço, surge agora a ideia de um “cartão virtual”, que permitiria pagar diretamente às companhias aéreas a parte subsidiada, deixando o residente pagar apenas a sua quota-parte. É uma solução tecnicamente mais simples, socialmente mais justa e, sobretudo, preventiva, porque evita reembolsos, atrasos e humilhações administrativas. O problema é que continua “em estudo”, enquanto os constrangimentos são bem reais e imediatos.
Entretanto, o debate público dispersa-se. Em vez de se discutir seriamente modelos de política pública, perde-se tempo em ruído político, em frases inflamadas e em disputas partidárias que pouco resolvem. Uma pergunta, votar no Chega resolve metade os problemas? Estas notícias de hoje parecem "rimel", surge deste cansaço generalizado, mas não resolve problemas administrativos nem sistemas mal desenhados. A parte das dívidas, das falhas do Estado e da burocracia ineficiente não desaparece com slogans nem com votos de protesto.
Luís Montenegro insiste, e bem, que as ajudas do Estado devem estar associadas a regras e responsabilidade. Mas rigor não pode ser sinónimo de cegueira social. Exigir cumprimento é legítimo; criar sistemas que falham à partida para uma parte significativa da população é irresponsável. E se os cidadãos decidem atuar da mesma maneira com as dívidas do Estado?
O que as páginas do DN de hoje nos mostram é simples e preocupante, não falta discurso político, falta execução competente. Não falta fiscalização, falta desenho inteligente. Não falta opinião, falta solução.
Acham que estas notícias arrefecem as pessoas?
O Subsidio Social de Mobilidade continua a torrar dois governos.
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