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A sintonizar estações...

A fábrica da "Verdade"

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A

s campanhas eleitorais, para quem queira observar, são uma delícia de informação. Nas passadas Regionais vimos muitos "glutões do sistema", sempre "anónimos" mas a facturar, saíram em defesa de Miguel Albuquerque apesar do seu "currículo" judicial. Nesse momento, claramente, vimos como os interesses apagam qualquer ética ou moralismo, alguns de sacristia.

As Presidenciais não são um expoente máximo, ainda por cima com o "desastre climático" que aconteceu no país, mas ainda assim repetem doses conhecidas. De arranque temos a repetição da Fábrica de "Verdade" (Redes Sociais). O método é o da "Inundação de Campo". Grupos organizados (muitas vezes perfis falsos ou "exércitos de comentadores") não tentam debater; tentam esgotar o interlocutor por repetição. Ao comentarem massivamente com a mesma narrativa em todas as notícias, criam uma falsa sensação de "opinião maioritária". O Chega é o vencedor sem qualquer concorrência.

Ainda esta semana pude ver em direto, e confesso que abismado, a censura seletiva. Nas páginas do Governo Regional e empresas públicas, o "filtro" é cirúrgico. Críticas fundamentadas são apagadas ou escondidas, enquanto o elogio (muitas vezes artificial) é promovido. Com a participação da comunicação social que reage de imediato, horas ou dia seguinte, com a propaganda para rebater.

Existe o ecossistema mediático, o cerco do Betão e do Papel, a promiscuidade entre o betão e a tinta. Na Madeira, os grandes grupos económicos que ganham as obras públicas são os mesmos que detêm os jornais e as rádios. O esquema tem polimento garantido, mas também existe a homologação do pensamento, só falam "especialistas" e comentadores aprovados pelo sistema. Cria-se um carrossel de "paineleiros" que simulam debate, mas concordam no essencial. Na rádio, na opinião e na TV.

Mas a desinformação moderna não é apenas mentir, é omitir ou destacar uma parte. Se um escândalo não sai no jornal de maior tiragem nem na rádio local, para grande parte da população, ele "não aconteceu", o que a par de páginas e páginas de tretas estabelecem o "cantinho do céu" que mais ninguém acredita.

A TV é a "Gaiola de Ouro" dos Jornalistas, até se reúnem em programa para unificar a concordância entre jornais e TV. Sempre os mesmos em todo lado. Aqui, onde até poderia haver liberdade, vemos uma subjugação partidária, emissários da narrativa ou conforto no estado de graça. Existem profissionais com carteira profissional e talento, mas que operam sob uma "espada de Dâmocles". A TV, sendo serviço público, deveria ser LUZ, mas acaba muitas vezes a ser um diário do Governo Regional, em dose dupla, GR e PSD, com a oposição onde e como calhar se houver espaço, sem equilíbrio. Na casa tudo se mantém como no Governo, o director vai se reformar no posto a ver todas as mudanças na comunicação social.

A autocensura existe por todo lado, nas pessoas, nos jornalistas, não é preciso o diretor mandar apagar ou censurar, o jornalista já sabe o que "dá chatice" escrever. O medo de perder o emprego ou de ser "encostado" a fazer reportagens de folclore é um método de controlo eficaz.

Chegamos nesta procissão à Justiça como Lawfare (Guerra Jurídica). O uso de advogados ligados ao regime para mover processos por difamação contra perfis incómodos, que só ganham no Tribunal Europeu. Muitas vezes o objetivo não é ganhar o processo (que muitas vezes é arquivado anos depois), mas sim asfixiar financeiramente e psicologicamente quem critica. Desacreditar, inclusive no próprio partido do poder. Aqui percebemos que o partido dominante é uma casca, por dentro está a máquina do governo e dos empresários do regime. Os militantes e crentes fazem figuras de parvos, alguns experimentam os mesmos processos de derrotar a oposição em eleições internas

Existe a desvalorização, a perseguição e ainda a descredibilização, atacam a pessoa para não terem de responder ao argumento. Se não podem desmentir o facto, destroem a reputação de quem o disse. O povão aceita sem suspeita, encarneira na festa e no arraial, vira a cara.

Neste cocktail ainda existe a falsa pluralidade e os "oposicionistas de conveniência", quantos conhece que se revelaram beneficiários do poder para na hora da verdade desgraçar os seus partidos? Na hora pensam em negociatas posição, evolução na carreira, dependem de subsídios, contratos de prestação de serviços ou cargos em associações dependentes do orçamento regional, destacados... Eles servem para o regime dizer "vejam, até temos pessoas da oposição a colaborar connosco, isto é democracia". É o pluralismo de fachada.

A desinformação na Madeira não é um erro do sistema, é o sistema. Onde a justiça é usada como mordaça e o jornalismo como megafone do poder, a verdade torna-se um ato de resistência clandestino. O povo olha para todos os lados e deixa-se enterrar. Tudo está cada vez pior, até ralham, mas nunca fazem um movimento de mudança, aliás reforçam pessoas com várias acusações graves.

Este é o arquipélago do silêncio, a engrenagem que fabrica o consentimento. Quando o povo acorar está enterrado.

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