Os meus cumprimentos a todos os leitores do Madeira Opina, envio um texto enquanto técnico e não interessado em vendas ou marcas. Acontece porque vi uma publicação no Facebook.
A
mensagem que envio e que circula, é um exemplo clássico de "clickbait" ou desinformação tecnológica exagerada, misturando factos reais de investigação com promessas que ainda não são realidade comercial. Não é totalmente verdade, especialmente no que toca aos prazos e à exclusividade da Toyota.
Recentemente, têm circulado mensagens entusiásticas afirmando que a Toyota decretou o "fim do lítio" e do petróleo com uma nova bateria de iões de alumínio, capaz de 1.600km de autonomia e carregamentos em 5 minutos, com lançamento previsto para 2026. Embora a tecnologia de alumínio seja real e promissora, a realidade é mais complexa.
A tecnologia de Iões de Alumínio (Al-ion) está, de facto, a ser desenvolvida por várias empresas e universidades (como a Graphene Manufacturing Group - GMG, na Austrália). As vantagens mencionadas são reais em ambiente de laboratório. O que temos de positivo?
- Abundância: o alumínio é o metal mais comum na crosta terrestre e muito mais barato que o lítio.
- Segurança: são inerentemente mais seguras, não sendo inflamáveis como as de iões de lítio.
- Sustentabilidade: são muito mais fáceis de reciclar.
- Custo: estima-se que possam reduzir o custo por kWh de forma drástica.
OK, mas e onde está o exagero (ou a mentira)?
A Toyota tem focado os seus maiores investimentos nas baterias de estado sólido (Solid-State), que ainda usam lítio, mas com um eletrólito sólido. A marca não anunciou que vai abandonar a China ou o lítio em favor do alumínio já em 2026 para veículos de grande consumo.
Atualmente, não existe nenhum protótipo de bateria de alumínio pronto para produção em massa que garanta essa autonomia num veículo comercial. Os valores de densidade energética do alumínio ainda precisam de superar grandes desafios de engenharia para atingir esses números. Embora existam protótipos em testes, a ideia de que os modelos de 2026 já estão a sair de fábrica com esta tecnologia é falsa. A indústria automóvel tem ciclos de produção longos e o lítio continuará a ser o rei do mercado pelo menos na próxima década.
Estamos, sim, perante uma tecnologia que pode revolucionar o setor, mas o texto que circula no WhatsApp e redes sociais antecipa uma vitória que ainda está no laboratório. O alumínio poderá começar por substituir baterias em armazenamento doméstico ou pequenos dispositivos antes de chegar aos carros de longa distância.
O fim do lítio ainda não tem data marcada, mas a corrida por alternativas mais baratas e seguras nunca foi tão intensa.
- https://www.facebook.com/miguel.aragaoencarnacao/posts/pfbid02bTVgyTi9Zkaj9ySCfnTJCzpCWnJhq8NfarzkBYPFjTHhkJobBg9B5AsAeRgGPuB8l
- https://www.youtube.com/watch?v=hLq9v-ZnBL0
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