- https://www.jm-madeira.pt/regiao/governo-desiste-da-empreitada-no-caminho-das-ginjas-CJ19671377
P
O Governo Regional deitou finalmente a toalha ao chão no caso do Caminho das Ginjas. O anúncio, feito de forma quase clandestina através de uma resolução de Conselho de Governo que "esqueceu" de constar nas deliberações públicas iniciais, marca o fim de uma das maiores teimosias políticas da nossa história recente.
Diz o Governo que desiste devido a "vicissitudes" e "providências cautelares". Traduzindo para português claro, o projeto era tão indefensável que não resistiu ao embate com a legalidade e com a pressão de Bruxelas. Mas, enquanto se celebra a salvação de 9km de Laurissilva, fica no ar uma pergunta!
Onde está a responsabilidade de quem assinou os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) que validaram esta aberração? Um Estudo de Impacto Ambiental deveria ser um documento científico, isento e rigoroso. No entanto, no caso das Ginjas, serviu de "folha de parra" para tentar esconder uma intervenção que qualquer cidadão com dois dedos de testa percebia ser nefasta. Assistimos a técnicos e consultoras a produzirem argumentos contorcionistas para provar que colocar alcatrão e betão no coração de uma zona protegida era "bom para a natureza".
Pergunta-se, quem são os autores desses estudos? Quanto dinheiro público foi enterrado em pareceres técnicos "amestrados" que apenas serviram para dar cobertura política a um capricho do betão? Não haverá consequências para quem usa a ciência como ferramenta de propaganda ao serviço do regime?
Se o projeto caiu por ser juridicamente insustentável, é porque os pressupostos técnicos eram falsos ou grosseiramente enviesados. Na Madeira, tornou-se hábito contratar estudos que já trazem a conclusão escrita antes de começarem. O resultado está à vista, anos de tribunais, fundos europeus em risco e um desgaste institucional vergonhoso.
O PAN já foi politicamente castigado. E os atuais governantes da Câmara Municipal de São Vicente completamente a favor da aberração do Caminho das Ginjas?
O recuo nas Ginjas é uma vitória da sociedade civil e dos "resistentes", ambientalistas e movimento cívicos com coragem, mas a vitória só será completa quando houver escrutínio sobre a "ciência por encomenda". Não podemos continuar a pagar estudos de impacto que servem apenas para mascarar a destruição do nosso património.
A máscara das Ginjas caiu neste Carnaval. Resta saber quantas mais "encomendas" técnicas estão neste momento a ser cozinhadas nos gabinetes, para justificar o próximo atentado ao nosso território.
E o teleférico do Curral das Freiras? Segue-se? Também está forte e feio.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.