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A Atalaia do privilégio
No centro do furacão está a Associação Atalaia Living Care. Enquanto milhares de famílias madeirenses desesperam por uma vaga para os seus idosos, esta entidade recebia milhões por horas de trabalho que nunca prestou (mais de 68 mil horas evaporadas!) e por unidades que nem sequer tinham licença para operar. Como é que isto é possível? Num sistema saudável, isto seria detetado no primeiro mês. Na Madeira, durou anos.
A "indiferença" que mata
O Tribunal de Contas usa uma palavra pesada, indiferença. O IASaúde e a Segurança Social não foram "totós"; foram cúmplices pela omissão. Olharam para o lado enquanto se pagavam 3 milhões de euros indevidos na saúde e 1,8 milhões na segurança social. É dinheiro que saiu do bolso do contribuinte diretamente para o bolso de gestores que transformaram o "cuidar" num negócio de extração de rendas.
O padrão da impunidade
Este caso é o espelho de uma autonomia doente. Criou-se uma rede onde os "amigos" do sistema garantem os grandes contratos, onde a fiscalização é uma miragem e onde a responsabilidade política se dissolve em desculpas técnicas. Quando o dinheiro falta para os medicamentos ou para as listas de espera, lembrem-se da Atalaia. Lembrem-se das unidades sem licença que faturavam como se fossem hotéis de luxo.
Concluindo...
O envio deste processo para o Ministério Público é a única notícia esperançosa no meio deste lodo. Mas não basta punir os que receberam o dinheiro, é preciso punir os "indiferentes" que assinaram os cheques. Se a justiça não for célere, a mensagem que passa é clara, na Madeira, o crime de lesar o público compensa, desde que se use a máscara certa.
Basta de tratar os cuidados continuados como uma "manjedoura" política. Os nossos idosos merecem dignidade, e nós merecemos o nosso dinheiro de volta.
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